BNDES e Caixa serão capitalizados com ações da Petrobrás

BNDES será capitalizado com R$ 4,5 bilhões e a Caixa Econômica Federal, com R$ 2,5 bilhões

Adriana Fernandes e Sandra Manfrini, da Agência Estado, e O Estado de S. Paulo,

27 de agosto de 2010 | 10h49

Às vésperas da capitalização da Petrobrás, o governo resolveu aumentar o capital da Caixa Econômica Federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com troca de ações ON da estatal petrolífera. O BNDES, de acordo com decreto publicado nesta sexta-feira, 27 no Diário Oficial da União, será capitalizado com R$ 4,5 bilhões e a Caixa Econômica Federal, com R$ 2,5 bilhões.

Segundo o decreto, a operação que envolve a capitalização do BNDES será feita, sem emissão de ações, mediante a transferência de 139.754.560 ações ON da Petróleo Brasileiro S.A (Petrobras), excedentes à manutenção do controle acionário da União. No caso da Caixa Econômica Federal, serão transferidas 77.641.422 ações ON da Petrobrás. Operação, que vai envolver troca de ativos, deve turbinar em mais R$ 30 bilhões a capacidade de empréstimos a empresas e pessoas físicas.

Em nota, a Caixa informou que, com a capitalização, "a carteira de crédito da instituição ganha potencial para dobrar nos próximos anos".

Ainda segundo a Caixa, os recursos permitirão ao banco atuar no financiamento ao saneamento e à infraestrutura urbana, visando eventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, "em ações alinhadas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2)". O banco previu que a capitalização dá um potencial para a carteira de credito da instituição alcançar R$ 300 bilhões nos próximos anos

Capitalização da Caixa

A operação da Caixa de R$ 2,5 bilhões vai turbinar em mais R$ 30 bilhões a capacidade de o banco estatal fazer novos empréstimos para as empresas e pessoas físicas.

Segundo fontes, a capitalização da Caixa tem como objetivo manter o atual ritmo de crescimento do crédito do banco, que no primeiro semestre do ano bateu a marca de 50%. O foco da capitalização é o aumento do crédito para obras de infraestrutura em saneamento, transportes e energia. O banco tem uma demanda de R$ 20 bilhões de crédito nessas três áreas e que pretende atender até o fim do ano.

Até julho, a carteira estava em R$ 153 bilhões. A carteira de crédito comercial da Caixa para projetos de infraestrutura é hoje de cerca de R$ 10 bilhões, volume ainda considerado tímido pelo governo. A orientação da equipe econômica é que o crédito para esses setores seja expandido e também para o setor imobiliário .

Na reta final do governo, a área econômica está concluindo uma série de capitalizações das estatais, boa parte delas feita com engenharia financeira de troca de ativos. O Banco do Brasil (BB) e a Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) foram beneficiados com essa política.

BNDES

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, havia classificado no início da semana como "descabidas" as críticas relacionadas aos investimentos do BNDES. De acordo com ele, o BNDES tem sido alvejado por ter recebido aporte de R$ 180 bilhões do Tesouro Nacional.

"Omite-se deliberadamente o retorno tributário dessas operações, bem como a expansão da capacidade instalada que elas propiciam ao incrementar a demanda por máquinas, gerar empregos e promover a competitividade do parque produtivo nacional", disse Lula, durante encontro com empresários da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de base (ABDIB) em São Paulo.

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