BNDES é fator de moderação do crédito, não de expansão, diz Coutinho

Presidente do BDNES classificou de 'ideia estúpida' a avaliação dos mercados de que o governo iria descuidar da inflação

Daniela Milanese, da Agência Estado,

18 de maio de 2011 | 07h53

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é um fator de moderação do crédito no Brasil, e não de expansão, afirmou hoje o presidente do órgão, Luciano Coutinho. "Precisamos controlar a inflação", afirmou.

Ele classificou de "ideia estúpida" a avaliação dos mercados de que o governo iria descuidar da inflação, problema que reconhecidamente traria prejuízos ao País. "A inflação vai convergir para a meta em 2012, não há dúvida."

O nível de empréstimos do BNDES tem sido apontado como um dos motivos para o expressivo crescimento do crédito no Brasil. Coutinho rebate a avaliação ao dizer que, se o banco seguisse no mesmo ritmo de expansão verificado anteriormente, os desembolsos neste ano subiriam para R$ 175 bilhões.

Mas, numa estratégia coordenada com o ministério da Fazenda, os empréstimos devem ficar em R$ 145 bilhões, mesmo nível de 2010, excluída a capitalização da Petrobras (no total, o número ficou em R$ 170 bilhões).

Ele sinalizou, entretanto, que a projeção de desembolsos em 2011 não é fixa e pode ficar "um pouco acima ou abaixo" disso. "É uma questão de coordenação, não podemos deixar no piloto automático."

A desaceleração já foi vista no primeiro trimestre, quando os desembolsos recuaram 2% em relação ao ano anterior, para R$ 24,9 bilhões.

Coutinho defendeu a moderação da inflação e do consumo das famílias no Brasil. Mas, disse que é preciso elevar os investimentos, para garantir um crescimento econômico sustentável. Para ele, a taxa de investimentos precisa subir de 18,5% para 25% do PIB.

Por isso, o presidente do BNDES defendeu o atual patamar da taxa TJLP, praticada pelo banco, pois acredita que sua elevação afetaria negativamente as decisões de investimentos de longo prazo.

Ele afirmou que os gastos públicos já desaceleram em termos reais e que o Brasil caminha para registrar um dos menores déficits fiscais nominais do mundo.

Em Londres, Coutinho recebeu ontem à noite o prêmio Personalidade do Ano da Câmara Brasileira de Comércio no Reino Unido. 

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