Ricardo Brandt|Estadão
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Para evitar prejuízo, BNDES busca sócio para Viracopos

Com quase 90% da dívida do aeroporto nas mãos, banco de fomento se reuniu com quatro investidores estrangeiros interessados no ativo

Vinicius Neder e Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2018 | 16h32

Principal credor do Aeroporto de Viracopos, que entrou com pedido de recuperação judicial no domingo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) corre contra o tempo para conseguir um comprador para o ativo. A instituição detém R$ 2,6 bilhões da dívida de R$ 2,9 bilhões da concessionária – ou seja, 90% do total. 

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O presidente do BNDES, Dyogo Oliveira, afirmou ontem que 70% do montante já foi provisionado no balanço do banco. Do total de dívida, R$ 1,6 bilhão se refere a financiamento direto liberado pelo banco de fomento, R$ 492 milhões em debêntures e o restante de repasses feitos por bancos de varejo (públicos e privados), que ficam com o risco da operação.

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Para evitar o prejuízo, a instituição tem se esforçado para encontrar potenciais investidores para assumir o aeroporto. “A expectativa que temos é de trabalhar para encontrar uma solução de mercado para o projeto”, afirmou Oliveira. Segundo ele, em reuniões com o BNDES, empresas têm manifestado interesse no projeto. O banco já se reuniu com quatro companhias estrangeiras.

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Uma delas é a suíça Zurich Airport, sócia do Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, e controladora do Aeroporto de Florianópolis (SC). A empresa fez uma joint venture com a gestora nacional IG4 para avaliar a compra do aeroporto. Outra interessada é a empresa turca Almat. Embora a recuperação judicial não afete a venda de Viracopos, essa solução precisa ser rápida e depende da decisão do juiz que vai analisar o pedido feito pelos acionistas privados do aeroporto.

Nas mãos do juiz. Na petição de Viracopos, uma das reivindicações feitas à Justiça é a suspensão do processo de caducidade da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que extingue a concessão do aeroporto. O Estado apurou que, se o juiz não acatar esse pedido, a Anac pode levar adiante o processo e fazer uma intervenção na empresa. Isso eliminaria a possibilidade de entrada de um novo investidor na concessão, afirmam fontes ligadas ao assunto.

O presidente do BNDES e o diretor jurídico da instituição, Marcelo Siqueira, lançaram dúvidas sobre o processo de recuperação judicial ser o melhor caminho para os problemas da concessionária. Oliveira lembrou que ainda não está claro se a dívida do aeroporto com a União, referente às outorgas da concessão, entrará na recuperação.

De qualquer forma, a mudança de controle da empresa não é uma operação trivial. Fontes a par do assunto dizem que tudo depende de uma reestruturação da dívida com os bancos e uma solução para a inadimplência de R$ 211 milhões com o governo federal.

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