Paulo Vitor/Estadão
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BNDES lucra R$ 6,4 bilhões no 3º trimestre, alta de 105%

No acumulado do ano, no entanto, lucro do banco registra queda de 36,1% e soma R$ 4,2 bilhões

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2016 | 11h43

RIO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de R$ 6,414 bilhões no terceiro trimestre de 2016, alta de 105,3% ante o terceiro trimestre de 2015, quando o lucro líquido foi de R$ 3,124 bilhões. Com isso, a instituição de fomento acumulou lucro de R$ 4,240 bilhões entre janeiro e setembro de 2016, queda de 36,1% ante igual período do ano passado.

Em nota, o banco de fomento informou que créditos tributários (no montante de R$ 4,514 bilhões) sobre o estoque de provisão para risco de crédito (R$ 11,6 bilhões em setembro de 2016) foram o fator positivo no lucro do terceiro trimestre.

O índice de Basileia atingiu 19,4% no encerramento do terceiro trimestre, ante 16,1% (junho 2016) e de 14,7% (dezembro de 2015). O avanço deveu-se ao crescimento do patrimônio de referência, que passou de R$ 94,997 bilhões, em dezembro de 2015, para os atuais R$ 129,881 bilhões, "influenciado pela recuperação da carteira de participações do BNDES e pelo lucro do trimestre", segundo a nota do banco de fomento.

As participações societárias alcançaram o valor de R$ 71,349 bilhões em setembro de 2016, alta de 36,2% em relação ao valor de dezembro do ano passado. "O resultado refletiu a valorização, de R$ 20,842 bilhões, da carteira de participações em sociedades não coligadas, sobretudo das ações da Petrobrás e da Eletrobras", informou o BNDES. 

Calotes. No resultado acumulado em nove meses, o BNDES destacou, como fatores para explicar a queda, as despesas com provisão para risco de crédito e com "impairments". A despesa com provisão para risco de crédito atingiu R$ 7,008 bilhões, aumento de R$ 6,341 bilhões em relação ao mesmo período de 2015. Aí está incluída uma provisão complementar de R$ 2,072 bilhões, "constituída no terceiro trimestre do ano, por medida prudencial". Já os "impairments" somaram R$ 5,270 bilhões (ante R$ 3,310 bilhões nos nove primeiros meses de 2015), dos quais R$ 5,151 bilhões reconhecidos no primeiro semestre. 

O diretor da Área de Controladoria do BNDES, Ricardo Baldin, explicou que a provisão complementar foi feita diante do aumento da inadimplência. A inadimplência até 30 dias, antes da execução de garantias, ficou em 1,96% no encerramento do terceiro trimestre, contra 0,06% no fim de 2015. Já a inadimplência até 90 dias passou de 0,02% para 0,21%, entre o fim de 2015 e setembro passado. "Houve um aumento no rebaixamento dos ratings das companhias para as quais o banco concede financiamento", disse Baldin.

Por causa do aumento das provisões em 2016, o resultado líquido de intermediação financeira do BNDES no acumulado em nove meses passou de R$ 14,5 bilhões em 2015 para R$ 12,2 bilhões em 2016. Não fossem as provisões, o resultado de intermediação em nove meses teria passado de R$ 15,2 bilhões, em 2015, para R$ 19,2 bilhões, em 2016.

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