Jose Sena Goulao/EFE
Jose Sena Goulao/EFE

BNDES poderá financiar a TAP, mas não será acionista, diz dono da Azul

David Neeleman assinou documento em que assume a compra de 61% da aérea portuguesa e anunciou novo plano de negócios da companhia

Fernando Nakagawa, O Estado de S. Paulo

24 de junho de 2015 | 12h13

LISBOA - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá financiar futuros investimentos na aérea portuguesa TAP. A informação foi confirmada pelo novo sócio da empresa e dono da Azul, David Neeleman. O empresário negou que o banco de desenvolvimento possa ser sócio na aérea, mas reafirmou que o governo brasileiro apoia a compra da TAP. "Visito muito Brasília e o BNDES financiou a compra das nossas aeronaves Embraer. Eles nos perguntaram o que poderiam fazer. E poderiam fazer o financiamento", disse Neeleman em entrevista após assinar o contrato para a compra de 61% da TAP. "Mas só seria financiamento. Não é como acionista. Tomar o controle da TAP é bobagem", completou.  

Neeleman confirmou que pode cogitar usar linha do BNDES. "A gente pode usar. Eles querem ajudar porque a TAP é importante para o Brasil", disse. "Quando estou em Brasília, todo mundo quer falar da TAP. Quando o vice-presidente do Brasil esteve aqui, ele falou que o governo poderia estar ajudando", disse, ao comentar a importância da TAP para o turismo nas regiões norte e nordeste do Brasil.  

Apesar de ter a linha disponível, o empresário, que nasceu no Brasil e foi criado nos Estados Unidos, comentou que os processos do BNDES são para horizontes mais longos. "O processo deles demora um pouco mais. No futuro, vamos falar com eles sobre nossos requisitos que precisamos e vamos ver onde podemos usar (o crédito do BNDES) no futuro", disse.

Plano de negócios. A TAP comprará no mínimo 53 novos aviões da fabricante europeia Airbus, anunciou Neeleman. Os novos modelos permitirão à empresa ter um papel mais importante nas rotas transatlânticas entre Lisboa e os Estados Unidos, além de destinos brasileiros. A companhia usará aviões menores - de um corredor - entre os dois continentes, o que reduzirá custos para a TAP e ainda permitirá aumento do número de destinos e frequências.  

Durante entrevista coletiva após a assinatura do contrato de compra de 61% da aérea portuguesa, Neeleman anunciou o plano com o qual pretende reerguer a empresa que sofre com o aumento da dívida e prejuízos. A ideia é renovar a frota para permitir maior número de voos entre Portugal e os Estados Unidos e o Brasil.  

Ainda não foi assinado o contrato, mas o consórcio Atlantic Gateway prevê a compra de 14 A330-900NEO - avião de fuselagem larga e dois corredores internos - e 39 aeronaves dos modelos A321NEO e A320NEO - modelos de fuselagem estreita e corredor único. Com esse plano, foi cancelado o antigo pedido de compra de modelos A350 - avião de fuselagem larga, dois corredores e alcance maior que o A330.  

A grande novidade desse plano é cruzar o Atlântico com um avião menor: o A321, modelo usado atualmente, por exemplo, pela TAM em rotas domésticas e algumas para a América do Sul. "O A321 nos dará muito mais flexibilidade. A TAP voa para Natal, por exemplo, três vezes por semana. Com o A321, poderá fazer sete vezes por semana", disse.  

O novo acionista da TAP explicou que a nova versão de longo alcance do A321 tem autonomia para voar entre Lisboa e diversas cidades no Brasil (como Manaus, Belém, Fortaleza, Recife e Salvador) e nos EUA (como Nova York, Boston, Chicago e Washington). Além disso, o avião também poderá ser usado nas rotas europeias.  

Em Lisboa, a TAP poderá levar passageiros norte-americanos e brasileiros para outros destinos europeus, especialmente nos países do sul europeu, como Espanha, França e Itália. "E poderemos alcançar cidades secundárias", disse. A intenção do empresário é transformar Lisboa "no melhor centro de distribuição de voos" para a Europa. "Onde o passageiro faz a conexão mais fácil e rápido", explicou.  

Neeleman explicou que optou pelos modelos porque quer "competir no lado do mundo onde pode fazer dinheiro". A frase faz menção à Europa e às Américas. "Infelizmente, todas as empresas que estão indo para o leste estão tendo problemas com a concorrência com as empresas do Golfo Pérsico. Faremos o lado do mundo em que podemos ganhar dinheiro. Não estamos aqui para queimar dinheiro", disse, ao afirmar que um voo entre Lisboa e a China com o A350 "acabaria com o capital da TAP". "Essa é a realidade", disse.

Tudo o que sabemos sobre:
TAPAzul Linhas Aéreasaviação

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.