BNDES será capitalizado em R$ 500 mi e Caixa em R$ 450 mi, diz Mantega

Objetivo da medida anunciada pelo ministro da Fazenda é possibilitar que esses bancos continuem alavancando concessão de crédito em 2012

Edna Simão e Renata Veríssimo, da Agêcia Estado,

22 de dezembro de 2011 | 14h05

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, assinou na última quarta-feira, 21, uma portaria para capitalizar em R$ 950 milhões o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa Econômica Federal. Segundo o ministro, o BNDES receberá R$ 500 milhões do Tesouro Nacional e a Caixa, R$ 450 milhões. Pelo menos, por enquanto, não há previsão de injeção de recursos para o Banco do Brasil, segundo ele.

Com a medida, o ministro quer dar um pouco mais de folga para que esses bancos continuem alavancando a concessão de crédito no próximo ano. Ele explicou que essas instituições ainda têm folga no índice Basileia (porcentual de capital exigido para alavancagem do crédito), que atualmente é de 11%. Em outros países, esse índice é de 8%. O ministro destacou que os bancos públicos continuarão aumentar o volume de crédito no próximo ano.

Mantega ressaltou que somente neste ano a Caixa ampliou em 40% o volume de crédito concedido. Enquanto no mercado como um todo, esse porcentual gira por volta de 17,5%. Na avaliação dele, mais uma vez os bancos públicos devem liderar o processo de concessão de crédito com taxas de juros mais baixas.

Crescimento

 

Mantega explicou que a projeção de crescimento da economia de 4% para 2012 prevê que a situação internacional continuará complicada. No entanto, disse que se a situação melhorar, será possível ter um crescimento maior do PIB. "Há uma esperança que os europeus consigam sair da crise", afirmou. Mantega disse que o crescimento de 2012 será maior porque 2011 foi um ano de ajuste na economia, com a mudança do mix de política fiscal e monetária.

O ministro explicou que o cenário do ministério da Fazenda considera uma redução das taxas de juros no próximo ano e um câmbio mais favorável para a economia brasileira. "O cenário da Fazenda (em relação ao Banco Central) é mais forte na questão do crescimento porque temos que ser mais realistas", disse, lembrando que os dados do ministério são usados para projetar as receitas para o orçamento de 2012.

O ministro afirmou não considerar que as medidas adotadas pelo governo no início deste ano foram apertadas demais, a ponto de reduzir o crescimento para a casa dos 3%. "Foram na medida certa. Sem a crise teríamos crescido 4%. Está de bom tamanho para o primeiro ano de governo", afirmou.

Gastos

Mantega destacou ainda que o Congresso Nacional entendeu os argumentos do governo de que em ano de crise internacional não é o momento de aprovar projetos que contribuam para o aumento do gasto público.

Na proposta de orçamento de 2012, cuja expectativa é de que seja aprovada ainda hoje, não há previsão de aumento de salário dos servidores públicos, principalmente do Judiciário, apesar das pressões. "Estou vendo uma maturidade política no país que outros (países) não tiveram", ressaltou o ministro, referindo-se ao Congresso norte-americano e europeu.

Na avaliação do ministro, as pressões para elevação de salário, principalmente no próximo ano que será eleitoral, são normais. "Existem os interesses regionais. É natural", afirmou o ministro.

Ele disse ainda que não houve um aumento significativo dos gastos, porque os ministério tiveram que aprender a trabalhar com menos recursos e tiveram que melhorar a eficiência da máquina pública, além de não terem elevado as despesas com pessoal. Mantega reforçou ainda que os investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão crescendo. Segundo ele, a execução de outros investimentos que estavam previstos no Orçamento é que estão aquém do desejado.

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