BNP vê dificuldades para solução de curto prazo da crise na Europa

O economista-chefe para a América Latina do Banco BNP Paribas, Marcelo Carvalho, disse ainda durante a coletiva acreditar na continuidade do processo de afrouxamento monetário no mundo inteiro

Francisco Carlos de Assis, da Agência EStado,

28 de novembro de 2011 | 21h24

O economista-chefe para a América Latina do Banco BNP Paribas, Marcelo Carvalho, acha difícil uma saída para a crise econômica na Europa no curto prazo sem que haja uma atuação mais efetiva do Banco Central Europeu (BCE). A solução num prazo curto, segundo ele, se distancia à medida que o BCE, naturalmente, entende que seu papel a ser desempenhado é monetário e não fiscal.

Carvalho fez esta e outras avaliações durante a entrevista coletiva online trimestral que o BNP Paribas concedeu hoje a jornalistas. "É preciso que sejam tomadas medidas fiscais de médio e longo prazo. No entanto, esta é uma decisão para a qual o BCE pode fazer muito pouco. Este é o dilema", disse o economista do BNP Paribas.

A avaliação de Carvalho se alinha com a afirmação feita na sexta-feira (25) em São Paulo pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em tom de crítica à lentidão das autoridades europeias em tomar medidas para solucionar os problemas da crise na região, o ministro relatou que a Europa tem os instrumentos e liquidez para sair dar crise, mas não quer colocar o BCE como emprestador.

Carvalho disse ainda durante a coletiva acreditar na continuidade do processo de afrouxamento monetário no mundo inteiro. "O BCE deve manter o afrouxamento monetário na Europa e isso é uma tendência global", afirmou o economista.

Mesmo avaliando que os preços das commodities no ano que vem poderão se elevar caso ocorra mais uma rodada de afrouxamento monetário quantitativo e que o preço do dólar se move pelo comportamento das commodities no exterior, não é o pass-through cambial o que mais preocupa Carvalho.

Durante entrevista, o economista disse se preocupar mais com os repasses das altas dos preços dos serviços sobre a inflação do que com pass-through do dólar. Mesmo porque, de acordo com Carvalho, o coeficiente de repasse do câmbio para a inflação tem se reduzido nos últimos anos. "Por isso, essa ordem de grandeza não tem grandes impactos sobre o IPCA." Para este ano, o economista prevê uma taxa de câmbio de R$ 1,74 e para o próximo ano, de R$ 1,65.

Para Carvalho, com a renda em crescimento, a inflação de serviços deve continuar pressionando mais que o câmbio. A previsão do BNP Paribas para o IPCA neste ano é uma taxa de 6,50%, no teto da meta, e para 2012, de 6%, acima do centro da meta, que é de 4,50%. Carvalho lembrou que a inflação em 12 meses já caiu - já esteve em 7,3% no acumulado em 12 meses e agora está em 6,97% -, mas antecipou que será muito difícil cair muito mais do que isso em 2012 com o aumento do salário mínimo. Em 2012, o reajuste do mínimo será de 14% em termos nominais e de cerca de 7,5% em reais.

 

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