Boeing descarta ingressar no mercado de jatos regionais

A norte-americana Boeing prevê fortecrescimento na demanda de aeronaves em mercados emergentes comoBrasil, China e Índia. Nem por isso, a companhia tem planos deingressar no mercado de jatos regionais, aviões com 90 ou menosassentos adotados por algumas das empresas aéreas dessespaíses. Segundo Randy Tinseth, vice-presidente de marketing dadivisão comercial da empresa, a Boeing "não tem intenção deatuar nesse mercado". "Continuaremos a acompanhar e monitoraros movimentos do segmento, mas ele não está nos nossos planos",afirmou a jornalistas em São Paulo nesta sexta-feira. Segundo as estimativas de mercado apresentadas pela Boeing,a demanda por aeronaves na América Latina será de 1,73 milaeronaves, só perdendo para a China. O número equivale a algocomo 120 bilhões de dólares, dos quais 8 por cento representamjatos regionais --a menor fatia dentro da demanda até 2026. A maior parte, ou 79 por cento dos aviões que serãovendidos, de acordo com a previsão da companhia, será deaeronaves entre 100 e 200 assentos e um único corredor. Os executivos da companhia também lembraram que acompetição no segmento de jatos regionais já é grande e prometese acirrar, com a possibilidade da entrada da Mitsubishi e darussa Sukhoi, além de já ser dominado por Embraer e Bombardier,respectivamente brasileira e canadense. "Os jatos regionais têm um mercado, mas é um mercado queresponde por 8 por cento do total", ressaltou John Wojick,vice-presidente de vendas para América Latina e Caribe. Além disso, Tinseth afirmou que a visão da Boeing é de queas companhias aéreas vão sofrer cada vez maior pressão porcontrole de custos, com a alta do combustível de aviação, e pormelhor aproveitamento de suas frequências --o que, na avaliaçãodo executivo, deve beneficiar aeronaves maiores. CRISE NOS EUA Para Wojick, o crescimento esperado para regiões comoÁsia-Pacífico e América Latina deve compensar um período dedesaquecimento no mercado norte-americano. Além disso, elelembra que hoje a Boeing tem um melhor equilíbio entre ospaíses em sua carteira de pedidos, o que a torna menosdependente dos Estados Unidos. Até 2001, por exemplo, os EUA respondiam por cerca de 60por cento da carteira de pedidos da Boeing, índice que no finalde 2007 era de 11 por cento. "É claro que uma crise nos Estados Unidos deve ter algumimpacto nos demais mercados, mas os países emergentes irãocontinuar a crescer rapidamente. Essas regiões devem garantir oequilíbrio", disse. Na projeção da Boeing para 20 anos entre 2007 e 2026, ocrescimento médio do tráfego aéreo deve ficar em 5 por cento.Na América Latina, a expansão média esperada é de 6,2 porcento. "Os economistas afirmam hoje que a crise nos Estados Unidosé moderada", acrescentou Tinseth. Os executivos da empresaacreditam que ela dure algo como dois ou três anos.

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