Boi: Brasil pede a Allgeier rapidez na abertura do mercado dos EUA

Brasília, 22 - O governo brasileiro pediu hoje ao representante adjunto de comércio dos Estados Unidos, Peter Allgeier, rapidez no processo de abertura do mercado americano à carne bovina brasileira. "Pedimos que os Estados Unidos concluam rapidamente o processo de certificação da carne brasileira" afirmou o embaixador Clodoaldo Hugueney, subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Tecnológicos do Itamaraty. O Brasil negocia a abertura do mercado americano para a carne bovina fresca e resfriada. A abertura desse mercado permitiria ao Brasil vender também para países exigentes em questões sanitárias, como o Japão. O representante americano não sinalizou prazos para a abertura do mercado e limitou-se a dizer que o assunto está sendo tratado entre o Departamento de Agricultura dos EUA e o Ministério da Agricultura do Brasil. "Nossa preocupação é com a segurança do produto fornecido pelo Brasil", afirmou Allgeier. Quanto ao processo antidumping que os pescadores americanos movem contra as exportações brasileiras de camarão, Allgeier disse que o assunto tem sido tratado pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos. O embaixador Clodoaldo Hugueney enfatizou, em reunião hoje em Brasília, a importância da produção de camarão para os produtores do Nordeste e pediu ao governo americano que analise com atenção a defesa que está sendo apresentada pelas empresas brasileiras ao governo americano. "Nossa expectativa é que a saída de uma empresa do processo tem um impacto favorável na taxa média aplicada para as outras empresas brasileiras", afirmou Clodoaldo. Quanto à decisão preliminar da Organização Mundial do Comércio de condenar os subsídios dos Estados Unidos ao algodão, Allgeier limitou-se a dizer que os Estados Unidos "pretendem cumprir qualquer decisão do organismo multilateral". O embaixador Clodoaldo Hugueney avaliou que o registro de focos de febre aftosa no rebanho brasileiro não vai dificultar a abertura do mercado americano à carne bovina in natura do Brasil. "A região onde foram registrados os focos não tem a menor relevância em termos de exportação", afirmou. Ele disse que os focos foram localizados, estão na região amazônica e que o rebanho dessas regiões não tem o menor contato com os animais das regiões exportadoras. O embaixador disse ainda que o programa de regionalização de controle da aftosa adotado pelo País - ou seja os circuitos pecuários - é reconhecido no mundo todo. "Isso não faz o menor sentido", disse ao ser questionado sobre o embargo da Rússia às carnes produzidas no Brasil. Perguntado sobre se o embargo era uma forma de pressionar o governo brasileiro a dar voto favorável à entrada da Rússia na OMC ele foi enfático: "Isso não é forma de negociar." Ele lembrou ainda que o Brasil é um dos maiores exportadores de carne do mundo e que o controle sanitário no País é "primoroso".

Agencia Estado,

22 de setembro de 2004 | 18h41

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