Boi: mercado gaúcho tem ajuste após oferta extra de 80 mil animais

Porto Alegre, 22 - Pecuaristas e indústrias do Rio Grande do Sul percebem um ajuste do mercado gaúcho de boi gordo em novembro, após um excesso de oferta de gado para abate no mês passado, forçado pela necessidade de liberar áreas para o plantio de soja. Em outubro, houve uma oferta de 80 mil animais além da média mensal, calculou o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Estado (Sicadergs), Zilmar Moussale. "Eles já foram abatidos ou transferidos e agora começou a escassear um pouco a matéria-prima", afirmou Moussale. Além da urgência em abrir espaço para o plantio de verão, a oferta adicional coincidiu com a entressafra no Brasil central, quando o setor está focado no mercado interno, comentou o presidente da comissão de pecuária de corte da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Fernando Adauto. Este fato, somado à falta de indústrias com inspeção federal - que podem vender para outros Estados - reduziu os preços no mercado local, avaliou o dirigente. "Temos o abate de aves com quase 100% de inspeção federal", comparou Adauto, enquanto o índice é de 84% nas indústrias de suínos e de apenas 20% em bovinos. O preço médio em novembro está em R$ 1,61 por quilo no Estado, ante R$ 1,54 da média em outubro e R$ 1,65 do mês anterior, segundo levantamento da Emater/RS. Um frigorífico exportador, contudo, está oferecendo entre R$ 1,80 e R$ 2,00 pelo quilo vivo, variando conforme o rendimento obtido. A Emater constatou, em São Borja, na fronteira oeste gaúcha, que o custeio dos bovinos chega a R$ 125,00 por animal ao ano. A alimentação responde por 55% deste valor, incluindo pastagens e suplementação mineral. A mão-de-obra representa 23% do custo e 10% são gastos em reprodução. "Temos 43 raças espalhadas aqui e a tecnologia de criação não é tão eficiente quanto no centro-oeste", avaliou Moussale. Para a indústria, os preços em dezembro devem ficar em torno de R$ 1,70, dependendo dos contratos de exportação e das vendas de final de ano. Os pecuaristas apostam em um crescimento maior. A expectativa é que a cotação chegue a R$ 2,00 até o final de novembro, disse Adauto. As exportações de carne bovina do Rio Grande do Sul devem somar este ano 120 mil toneladas, com a abertura de novos mercados, superando a previsão de 90 mil toneladas, lembrou Moussale. O setor esperava chegar a 100 mil toneladas de exportações em 2005. "Existe um movimento de recuperação das plantas frigoríficas", disse Adauto, sobre a reativação de fábricas fechadas e o crescimento de outras. O Frigorífico Rio-grandense, de Farroupilha, por exemplo, está começando a exportar, citou o dirigente.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.