Boi/Cenário: preços estão sem direção no curto prazo

São Paulo, 27 - Não existe um consenso definido hoje no mercado pecuário sobre como se comportarão os preços da arroba bovina no curto prazo. A indefinição é resultado do comportamento atípico das cotações e da oferta e demanda que está ocorrendo nesta safra. Se por um lado o mercado registra aumento de exportações de carne em 2004, o consumo interno caiu durante a maior parte do ano e apenas agora ensaia uma recuperação. Do lado da oferta, as chuvas verificadas no início do ano permitiu que os bois ficassem mais tempo no pasto. Mas o descarte de fêmeas registrado no primeiro semestre de certa forma equilibrou a oferta. A perspectiva de maiores preços com as exportações elevou o volume de animais confinados e semi-confinados, o que deve reduzir a diferença de cotações entre safra entressafra. Ou seja, se a safra não teve preços tão baixos, a entressafra não deverá ter cotações elevadas. Além disso, instrumentos novos de compra de animais passaram a ser utilizados de forma mais expressiva neste ano particularmente, como operações a termo e com CPR. Todos estas fatores novos e atípicos estão provocando leituras diferentes pelos analistas e brokers deste mercado. Para Elio Micheloni, da Hencorp Commcor, o mercado está deprimido e deverá permanecer desta forma até que ou o consumo ou as exportações registrem melhora. Para ele, as exportações, apesar de recordes, não são suficientes para dar sustentação a atual oferta. Ele se refere a uma oferta conjunta de descarte de fêmeas, desova de bois de pasto e mais animais de semi-confinamento e confinamento que começam a entrar no mercado. Micheloni estima que a oferta de confinados tende a aumentar no médio prazo deixando o mercado suscetível à novas quedas de preço. José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, acredita que os preços devem voltar a subir a partir da próxima semana, com uma redução das ofertas de animais mesmo em praças como Mato Grosso do Sul e Goiás, onde o volume de vendas foi expressivo nas últimas semanas. Para Ferraz, mesmo que o volume de gado confinado aumente, as ofertas de bois de pasto estarão menores, fazendo com que as escalas voltem para patamares médios de 1 semana, permitindo que as cotações aumentem. No momento, a arroba é cotada no interior paulista a R$ 62 para descontar o Funrural à prazo e a R$ 60 no Mato Grosso do Sul. Para Alcides Torres, da Scot Consultoria, os preços devem permanecer estáveis no curto prazo, limitados pelas escalas mais longas que o normal que os frigoríficos estão conseguindo manter. Ele acredita que o mercado apenas terá condições de esboçar algum tipo de reação altista a partir da segunda semana de setembro. Torres não acredita em novos recuos à medida que os frigoríficos exportadores preferem pagar os preços atuais e conseguir animais para manter suas programações de abate prontas com mais facilidade. O mercado futuro ainda sofre as influências do recente reajuste para baixo do mercado, vinculado à retração do dólar para um patamar abaixo de R$ 3. Com dólar e preço físico mais baixo, é natural que os prêmios operados sobre os futuros também se reduzam. (Eduardo Magossi)

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