Bolívia ameaça retomar concessões de petróleo e gás

A Bolívia reverterá ao Estadoas concessões dos campos de gás e petróleo caso as empresastransnacionais não cumpram com seus compromissos deinvestimentos, advertiu nesta sexta-feira o presidente do país,Evo Morales. O governante fez o anúncio em uma cerimônia na qual seucolega argentino, Néstor Kirchner, assegurou que seu paísinvestirá diretamente nas concessões que forem revertidas aoEstado por falta de investimentos. O presidente venezuelano Hugo Chávez também participou doencontro, em um momento em que a Bolívia espera a confirmaçãode planos de investimento para incrementar sua produção e suasexportações de gás natural para a Argentina. "Esses campos nos quais não investirem nós vamos retomarsem medo, porque não temos que ter medo de empresas que nãoinvestem. Não queremos empresas que sejam como o cachorro dodono da horta, que não come nem deixa comer", disse Morales. O presidente afirmou ainda que está pronto para "ações edecisões políticas para que esses recursos (eventualmenterevertidos) sejam concedidos a empresas mistas que começarão ainvestir". Os planos de investimento a que Morales se referiu deveriamter sido apresentados antes de 31 de julho pelas transnacionais-- entre elas a brasileira Petrobras e a espanhola Repsol-YPF-- que fecharam novos contratos de operação no contexto danacionalização da indústria petrolífera boliviana decretada emmaio de 2006. Entretanto, não existe um informe oficial sobre quaistransnacionais comunicaram seus planos de investimento paraaumentar a produção de gás, que segundo as autoridades de LaPaz deveriam somar ao menos 3,5 bilhões de dólares. Mas a Câmara de Hidrocarbonetos, que reúne as empresasestrangeiras e suas sócias locais, admitiu há três dias quevárias empresas estavam "atrasadas" na formulação de seusplanos de investimento. ARGENTINA PRONTA Kirchner afirmou que a petroleira estatal argentina,Enarsa, está pronta para substituir as transnacionais quedeixem de operar na Bolívia. O acordo de elevar a exportação de gás boliviano para aArgentina para 27,7 milhões de metros cúbicos diários em trêsanos considera o investimento das empresas privadas nodesenvolvimento das reservas do país. A atual exportação de gásboliviano para a Argentina chega atualmente a um máximo de 7,7milhões de metros cúbicos. "Mas se tais empresas, que gostaríamos de coração queinvestissem muito na Bolívia, na Argentina e na América Latina,não investem em projetos de gás, digo aos senhores empresáriose não digo em tom de ameaça, que a Argentina está disposta ainvestir (na Bolívia)", afirmou o presidente argentino. Kirchner revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silvaprometeu a ele que a Petrobras continuará investindo naBolívia, mas insistiu que ante uma eventual falta dessecompromisso "não tem que brigar com ninguém, é preciso tomardecisões, é preciso ter coragem". Chávez não falou especificamente de investimentos daestatal venezuelana PDVSA em substituição às transnacionais,mas assim que chegou à Bolívia na quinta-feira lançou a empresapetroleira binacional YPFB-Petroandina que programouinicialmente 600 milhões de dólares para exploração. Devido às suas vendas para a Argentina e ao bombeamentosimultâneo de cerca de 30 milhões de metros cúbicos de gásnatural para o Brasil, a Bolívia é atualmente o maiorexportador desse hidrocarboneto na América do Sul.

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