Bolívia e Venezuela criam empresa binacional de petróleo

Joint venture criada a partir de convênio entre Chávez e Morales terá investimento de US$ 600 milhões

Carlos Alberto Quiroga, da Reuters,

10 de agosto de 2007 | 10h12

Bolívia e Venezuela apresentaram à meia-noite desta sexta-feira, 10, uma ambiciosa aliança estratégica, com o lançamento dos primeiros projetos de prospecção de uma nova empresa binacional de petróleo, a YPFB-Petroandina, que somarão investimentos de pelo menos US$ 600 milhões.   A apresentação da parceria entre as estatais YPFB, da Bolívia, e PDVSA, da Venezuela, foi retardada em mais de sete horas devido à demora do presidente venezuelano, Hugo Chávez, para desembarcar em La Paz.   "Os campos de gás haviam sido seqüestrados pelo imperialismo e seus lacaios internos; na Venezuela liberamos e na Bolívia liberaram essas riquezas [ao nacionalizar o setor]", disse Chávez no palácio presidencial de La Paz, após assinar com seu aliado Evo Morales o convênio que deu origem à joint venture, que inicialmente explorará uma área amazônica ao norte de La Paz e blocos no Chaco (sudeste), onde estão as maiores jazidas em funcionamento da Bolívia.   Portando uma coroa de flores e folhas de coca, Chávez disse que a Bolívia, maior exportador sul-americano de gás, "precisa com urgência elevar sua produção", e que com ajuda venezuelana o país mais pobre do subcontinente dará "o próximo passo, que deve ser uma grande indústria petroquímica".   "Dissemos que queremos sócios, não patrões, e hoje temos um sócio", disse Morales na cerimônia, já na madrugada de sexta-feira.   Desde que Morales decretou a nacionalização do setor, em maio de 2006, empresas estrangeiras, como a Petrobras e a espanhola Repsol-YPF estão submetidas à autoridade da YPFB e a cargas tributárias que às vezes superam 80% do valor de petróleo e gás.   Viagem   Chávez chegou a La Paz às 22h30 (23h30 em Brasília), quando a temperatura se aproximava de 0°C. Mesmo assim, foi recebido com honras militares e aplausos de centenas de pessoas diante do palácio presidencial.   Nesta semana, o presidente venezuelano já esteve em Buenos Aires, Montevidéu e Quito, promovendo projetos de integração regional.   Na nova binacional, a YPFB terá 60% das ações. Inicialmente, a Venezuela vai entrar com o capital, enquanto a Bolívia cederá os direitos de prospecção e exploração, além dos estudos técnicos já feitos nas zonas escolhidas.   Desde que Morales assumiu o governo, há um ano e meio, seu governo vem recebendo forte ajuda da Venezuela, em ações como doações de tratores e assistência contra desastres naturais.   Na sexta-feira, Chávez e Morales presidem o lançamento de uma licitação para a construção de uma usina termoelétrica de 100 megawatts na região cocaleira do Chapare, berço político de Morales.   A obra marcará a "refundação" da Empresa Nacional de Eletricidade (Ende), que ocupava um papel marginal desde a privatização do setor, na década passada. A Ende terá 60% de participação na recém-criada sociedade com o governo venezuelano.   Na manhã de sexta-feira, antes de irem ao Chapare, Chávez e Morales se encontram em Tarija (sul) com o colega argentino Néstor Kirchner. Eles assistem ao lançamento da licitação de uma fábrica extratora de líquidos, parte de um multimilionário projeto de ampliação das compras argentinas de gás boliviano.

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