Bolívia reclama que Brasil descumpre contrato de compra de gás

A Bolívia afirmou na quinta-feira que o Brasil reduziu em um terço sua demanda pelo gás natural boliviano, o que além de descumprir o contrato entre os dois países obrigou a Bolívia a reduzir sua produção.

REUTERS

19 de março de 2009 | 16h34

No início deste ano, o Brasil reduziu de 31 milhões para 19 milhões de metros cúbicos diários de gás (mcd) o volume que importa da Bolívia, devido ao menor consumo local.

Entretanto, após interferência dos dois governos, a Petrobras fechou acordo com a YPFB para importar 24 milhões de mcd.

"Nos últimos meses houve uma redução na produção de gás natural fundamentalmente porque o Brasil está nominando diariamente uma quantidade menor do que no ano passado", disse o presidente interino da estatal boliviana YPFB, Carlos Villegas.

Atualmente o Brasil compra 20 milhões de mcd, segundo Villegas, o que significa "uma redução de um terço na demanda do Brasil".

A diretora da área de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster, também disse nesta semana que a empresa estava comprando 20 milhões de mcd, dos 30 que tinha direito, devido à queda do consumo interno.

Além da redução da atividade econômica, algumas indústrias brasileiras substituíram o gás por óleo combustível para aproveitar o impacto imediato do preço mais baixo do petróleo no óleo, enquanto o gás depende de uma fórmula que leva em consideração a média de seis meses do preço da commodity.

"O compromisso foi de comprar 24 milhões de metros cúbicos diários. O Brasil não cumpriu. Estamos conversando para, nas próximas semanas, nos reunirmos para definir com clareza o comportamento da demanda daqui para a frente", completou Villegas.

As exportações da Bolívia dependem em grande parte dos envios de gás natural ao Brasil. Em 1999, os dois governos fecharam um contrato de fornecimento de gás por 20 anos.

Villegas destacou que a Argentina aumento "de maneira considerável" sua demanda por gás para mais de 6 milhões de mcd, ante 2 milhões no início deste ano.

Na quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país não quer depender do "bom humor" de ninguém em relação ao gás.

A Bolívia detém a segunda maior reserva de gás da América do Sul, atrás da Venezuela, com uma produção diária acima de 42 milhões de mcd, em grande parte produzidos pela Petrobras.

(Por Diego Oré)

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