Bolívia rescinde contrato com construtora brasileira

O governo da Bolívia anunciou naquinta-feira que rescindiu um contrato de quase 200 milhões dedólares com a brasileira Queiroz Galvão para a construção deuma estrada no sul do país por causa do que chamou de"irregularidades múltiplas" na obra. A rescisão unilateral foi anunciada após mais de um mês detroca de acusações entre a empresa e a estatal AdministradoraBoliviana de Carreteras (ABC) em torno da alta nos custos edenúncias de má qualidade da construção, localizada nasprovíncias de Potosí e Tarija. "Assumimos a decisão de pôr fim ao contrato com a QueirozGalvão depois de uma ampla análise dos antecedentes técnicos,que estabelecem uma série de deficiências na obra", disse apresidente da ABC, Patricia Ballivián, em entrevista coletiva. A rescisão já havia sido antecipada há três dias pelopresidente boliviano, Evo Morales, que acusou grupos cívicosque defenderam a empresa brasileira de "proteger corruptos queroubam o povo". Ballivián disse que a ABC lançará na segunda-feira umalicitação, exclusivamente para construtoras brasileiras, já quea obra é financiada por um crédito do Brasil, para o reparo daparte já concluída da obra e para sua conclusão. "Para nós é importante garantir a correção dos defeitos daobra", disse ela. A construção da estrada de 420 quilômetros foi dada àQueiroz Galvão em 2004 após licitação a um preço de 180 milhõesde dólares que foi logo elevado para 198 milhões. A presidente da ABC disse que, como consequência darescisão, a estatal procedeu a execução de uma garantia de 13,8milhões de dólares paga pela empresa brasileira e que executaráuma segunda quantia de 9 milhões de dólares após um processo deconciliação de contas. Anteriormente Ballivián já havia dito que uma auditoriaindependente havia constatado o descumprimento do cronograma,cobranças injustificadas e má qualidade do trabalho da QueirozGalvão. A companhia respondeu imediatamente às informações daimprensa e disse que os defeitos na obra são deresponsabilidade do governo, que não forneceu informaçõestécnicas suficientes para a execução do projeto. A emissora de rádio Erbol disse que os executivos daQueiroz Galvão "se recusaram a receber a nota (de rescisão)enviada pela ABC até às 18h30 (horário local, 19h30 no Brasil),horário em que termina a jornada de trabalho". (Por Carlos Alberto Quiroga)

REUTERS

13 de setembro de 2007 | 23h20

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