Brendan McDermid/ Reuters
Brendan McDermid/ Reuters

Bolsas de NY fecham nos menores níveis em 1 ano e meio, com temor por recessão nos países ricos

Investidores temem que aumento dos juros por parte dos bancos centrais desacelere a atividade econômica

Elisa Calmon, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2022 | 18h55

As bolsas de Nova York fecharam com quedas robustas nesta quinta-feira, 16, com os três principais índices nos menores níveis em mais de um ano e meio. Os investidores temem que a postura agressiva de bancos centrais no combate à inflação deflagre uma recessão nas principais economias do planeta.

Depois de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevar os juros na quarta-feira, o Banco Central da Suíça anunciou nesta quinta o aumento de meio ponto porcentual nos juros básicos, a -0,25%, na primeira alta desde de 2007. Em seguida, o Banco da Inglaterra (BoE) subiu a sua taxa básica em 0,25 ponto, a 1,25%. 

No fechamento, o índice Dow Jones caiu 2,42%, a 29.927,07 pontos. O S&P 500 perdeu 3,25%, a 3.666,77 pontos. Já o Nasdaq baixou 4,08%, a 10.646,10. Dow Jones e S&P 500 cederam aos menores níveis desde dezembro de 2020, enquanto a Nasdaq renovou mínima desde setembro do mesmo ano.

A queda foi generalizada, mas as empresas de tecnologia puxaram a tendência, entre eles Apple (-3,97%), Amazon (-3,72%) e Microsoft (-2,70%). O setor de tecnologia tende a ser o mais prejudicado por juros mais altos, uma vez que a atratividade das ações dessas empresas costuma depender mais das expectativas para resultados futuros.

Alta dos juros nos EUA

O aumento nos juros divulgado ontem pelo Fed foi o terceiro consecutivo e o maior em porcentual em quase três décadas. A última vez que o BC americano elevou os Fed funds em 0,75 ponto foi em 1994.    

Após o anúncio, o presidente do Fed, Jerome Powell, reforçou a necessidade de novos aumentos nos juros para trazer a inflação para a meta de 2% e afirmou que o ritmo continuará a depender dos indicadores econômicos e da evolução das perspectivas para a economia dos Estados Unidos.    

O banco Barclays, uma das primeiras instituições a projetar que o Fed subiria juros em 0,75 ponto ontem, acredita que o BC americano deve moderar o ritmo de aperto monetário na reunião de julho, com alta de 0,50 ponto.    

O banco lembrou que, em coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, ressaltou que o avanço de 0,75 ponto porcentual não se tornaria comum. Para o Barclays, a alta nesse ritmo serviu para enviar uma mensagem de compromisso contra a inflação. "Diante do que estamos vendo na economia e na habitação, acreditamos que não será necessário enviar outra (mensagem como essa)", destaca.

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