Bonsucesso mira parceria no segmento de adquirência

O Banco Bonsucesso, uma das únicas instituições de médio porte que ainda atuam sozinhas no concorrido mercado de crédito consignado, deve anunciar em breve parceria para no segmento de adquirência, em continuidade à estratégia de diversificar receitas com foco no segmento de cartões.

CYNTHIA DECLOEDT, Agencia Estado

27 de maio de 2014 | 18h17

"Em até três meses devemos anunciar parceria na área de adquirência com empresa estrangeira que há algum tempo busca entrar no Brasil e tem grande experiência nesse segmento lá fora", disse o vice-presidente do banco Frederico Penido. O executivo não revelou, entretanto, o nome do parceiro.

O Bonsucesso foi recentemente alvo de especulações de que seria adquirido pelo espanhol Santander, mas seus acionistas negaram a transação. Penido reiterou a posição dos acionistas. Mas nas explicações do executivo sobre a estratégia de sobrevivência de seu negócio, ficou evidente que se o banco quisesse crescer sua participação de mercado no crédito consignado, a associação a alguma outra instituição seria o caminho.

"Nunca disputamos market share, nunca buscamos volumes altos porque temos um funding limitado e, portanto, nossa estratégia é otimizar a produção", explicou Penido. A operação de crédito consignado reduz o risco de exposição dos bancos à inadimplência e por isso é um mercado cada vez mais disputado pelos grandes bancos. Em contrapartida ao menor risco, tem menor margem, o que exige das instituições a busca de funding de baixo custo.

BMG e o Banco Pan fecharam parcerias para minimizar as dificuldades de operar no setor, que aumentaram com a exigência do Banco Central de coobrigação na cessão de carteiras, uma importante fonte de funding dos bancos especializados em consignado. A coobrigação prevê que o risco de crédito permaneça no balanço do cedente até que a liquidação do crédito ocorra.

"Nos últimos três anos evitamos a expansão da carteira de crédito consignado, que depende de funding, e em paralelo desenvolvemos outros produtos que não demandam funding, como o cartão pré-pago, o cartão de viagens e o cartão juro certo, para pessoa jurídica, os quais, na verdade, nos trazem funding", disse Penido.

O executivo destacou ainda que, como o negócio de crédito consignado do Bonsucesso é bem estabelecido, grande parte das operações são de refinanciamento, onde a comissão ao correspondente bancário é menor. Além disso, disse, o banco tem um terço da originação de novos créditos feita em lojas próprias, o que reduz o gasto com correspondentes.

Ao final de 2013, o empréstimo tradicional consignado representava 63% da composição das receitas do banco e Penido acredita que diante de tal estratégia de não originação de novos empréstimos, a participação nas receitas caia para ao redor de 60%. Segundo Penido, o crescimento médio anual da carteira de crédito consignado era anteriormente de 20%.

Já a atividade com cartões e de empréstimos para pequenas e médias empresas deve ter participação elevada de 37% para 40% nas receitas. O Bonsucesso trabalha forte no negócio de cartão consignado, semelhante ao cartão de crédito convencional, mas com melhor apelo junto aos clientes e que oferece ao banco melhores margens do que o empréstimo consignado convencional.

Juro

Segundo Penido, a taxa de juro do rotativo do cartão de crédito consignado está em torno de 5%, cerca de 50% inferior ao cartão de crédito convencional. Ele ressalta que o pagamento mínimo é descontado em folha e que o Bonsucesso tem 100 convênios distintos, entre Estados, prefeituras, INSS e empresas privadas para este cartão. O negócio representa em torno de 20% do total das carteiras de crédito do banco ou o equivalente a R$ 470 milhões no primeiro trimestre.

"Esperamos ultrapassar os R$ 500 milhões no final do ano", disse o executivo, acrescentando que e expectativa é de que essa operação siga contribuindo com 20% das receitas. "É um produto de crescimento orgânico, mais difícil de se obter ganho em escala", explicou.

O Bonsucesso concorre com o BMG e com o Pan nesse negócio e Penido diz haver pouca diferenciação nos produtos, incluindo taxas. Ele afirma que o Bonsucesso conta com sua força de vendas para fazer frente à concorrência e que não há espaço para redução do juro cobrado no rotativo. "É um produto em que não é cobrado anuidade ou qualquer outra taxa, mas ao mesmo tempo tem custo alto relacionado aos serviços de call center e emissão de faturas", disse.

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