Boom imobiliário atrapalha os pequenos negócios

Com poucos pontos comerciais vagos e encarecimento dos imóveis ainda disponíveis, o custo de expandir uma pequena empresa ficou muito alto

Carolina Dall`Olio, do Estadão PME ,

28 de junho de 2011 | 23h00

SÃO PAULO - Ao tentar abrir uma empresa ou expandir um negócio nos centros comerciais e financeiros das principais cidades brasileiras, os empreendedores enfrentam hoje uma grande dificuldade: há clientes dispostos a consumir e recursos para novos investimentos, mas faltam espaços para abrigar mais lojas e escritórios que atendam a essa demanda. Nunca houve tão poucos imóveis vagos. E os pontos comerciais ainda disponíveis têm preços proibitivos.

"Hoje é quase impossível encontrar um bom ponto comercial vago", afirma Marcos Hirai, diretor da Franchise Store, responsável pela venda de franquias de 70 marcas. Há um ano, a consultoria levava cerca de 30 dias para encontrar um imóvel nas grandes capitais que se enquadrasse no plano de expansão de uma rede franqueadora. Hoje, a demora vai de 90 a 120 dias. "Antes, o problema era achar um investidor com capital suficiente para se tornar um franqueado", conta Hirai. "Hoje, mesmo quando já selecionamos alguém com recursos para abrir uma franquia, muitas vezes o negócio não se concretiza por falta do ponto comercial."

A dificuldade é grande para quem pretende abrir uma loja de rua, mas também para quem procura espaço em shopping. Um levantamento feito pela própria Franchise Store nos principais shoppings de São Paulo mostra que o valor médio do aluguel há um ano variava entre R$ 150 e R$ 200 o metro quadrado.

Hoje, ele já vale R$ 350. Para as luvas, que correspondem à aquisição do ponto, a valorização foi de 100% em um ano: o custo do metro quadrado pulou de R$ 5 mil para R$ 10 mil. Fora dos shoppings, os preços também estão altos, em especial nos bairros que tradicionalmente abrigam comércios e escritórios.

A pedido do Estado, a equipe do Fipe-Zap, que calcula a variação dos valores de imóveis residenciais anunciados no portal Zap, mapeou também a valorização dos pontos comerciais.

Resultado: nos últimos três anos, houve aumento de preços em todas as regiões pesquisadas, com altas de mais de 130% no período. "Em muitos bairros, os preços dos imóveis comerciais subiram até mais do que os residenciais", afirma Eduardo Zylberstajn, coordenador do índice.

A empresa que quiser se instalar na Vila Olímpia, em São Paulo, por exemplo, pagará R$ 9.995 o metro quadrado na compra ou R$ 67 na locação. Há três anos, bastavam R$ 4.888 e R$ 40, respectivamente.

Mas mesmo diante de preços altos, as empresas não desistem da expansão. "Há empreendimentos comerciais pré-locados antes mesmo de serem construídos", testemunha Lilian Fenge, gerente da consultoria Jones Lang LaSalle, especializada em imóveis de alto padrão. A taxa de vacância dos imóveis atualmente é de apenas 6%, o menor nível da série histórica de pesquisa realizada pela empresa e que teve início em 1995.

Mais informações sobre o universo das pequenas e médias empresas estão publicadas na primeira edição do Estadão PME, que circula hoje junto com o Estadão e terá edição mensal. Além do caderno, o leitor ainda ganhará um site – dentro do portal do Estadão – e três boletins semanais na rádio Estadão ESPN. Uma vez por semana, no caderno de Economia & Negócios, o leitor também terá um espaço apenas para a discussão do empreendedorismo.

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