Bovespa abre em alta; dólar cai, cotado a R$ 1,989

Ambiente entre investidores mundiais continua sendo dominado por fortes incertezas quanto à crise financeira

Agência Estado,

29 de agosto de 2007 | 10h09

A Bolsa de Valores de São Paulo abriu em alta nesta quarta-feira, 29, após cair 2,7% no pregão de terça-feira. Às 10h14, o principal índice da Bolsa já subia 0,80%, ultrapassando novamente a marca dos 52  mil pontos. A alta é atribuída a um movimento de correção técnica, mesma justificativa que está sendo dado para a reação das bolsas em Nova York, onde o S&P 500 e o Nasdaq futuro apresentavam idêntica variação, de 0,34%.   De terça para quarta não surgiram novidades que pudessem servir de justificativa para essa melhora do mercado acionário nesta manhã. Por isso, apesar desse viés positivo, o mercado pode ter ao longo desta quarta-feira uma trajetória incerta. "O ideal, pelo cenário de hoje, é que a Bolsa ficasse meio de lado", diz um analista.   No mercado de câmbio, o dólar caía 0,7%, cotada a R$ 1,989, depois de fechar acima dos R$ 2,00 na terça.   O ambiente entre os investidores continua sendo dominado por fortes incertezas, acentuadas na terça pelos sinais de maior esfriamento do mercado imobiliário norte-americano e seus reflexos sobre indicadores de confiança do consumidor. O principal temor dos agentes do mercado continua sendo um contágio da atual crise no sistema financeiro sobre a economia real. E, conseqüentemente, qual será a atitude dos bancos centrais para enfrentar eventual cenário.   Na Europa, os mercados acionários tentam esboçar uma estabilização nesta manhã, após uma sessão de quedas nas bolsas asiáticas.   Depois de abrirem no vermelho, as principais bolsas entraram no terreno positivo no meio da manhã. A exceção é a de Frankfurt, prejudicada pela primeira queda em seis meses do índice Gfk de confiança do consumidor da Alemanha. Às 9h24 (de Brasília), a Bolsa de Londres subia 0,31% e a de Paris ganhava 0,30%, enquanto a bolsa de Frankfurt cedia 0,21%, mas operava acima das mínimas do dia.   O índice Nikkei 225, da Bolsa de Tóquio, fechou com um queda de 1,7%, tendo chegado a acumular uma queda de 2,8% durante a sessão. O iene voltou a se fortalecer diante de outras moedas, afetando as ações de empresas exportadoras japonesas. A valorização da moeda japonesa sinalizou também um movimento de desmontagem de operações de carregamento (carry trades), sinal claro de aumento de aversão ao risco.   Analistas avaliam que como o calendário de indicadores nos Estados Unidos previsto para esta quarta é muito fraco, o sentimento vai continuar à mercê do noticiário relacionado à crise do crédito subprime e seu impacto sobre os mercados acionários. "Poderemos ter que dançar novamente no tom do comportamento das bolsas outra vez", disse o economista do Royal Bank of Scotland, David Simmonds.   O economista do Noruma International, Charles Diebel, observou que embora o nervosismo com a crise subprime deva durar mais algum tempo, o impacto das notícias negativas sobre o mercado tem enfraquecido gradualmente. "Ou seja, estamos percebendo cada vez mais que as manchetes negativas estão afetando menos o sentimento", afirmou. Segundo ele, esse processo não surpreende. "Isso não significa que os problemas vão simplesmente evaporar, mas sugerem que cada vez mais eles já foram incorporados no preço dos ativos", afirmou.

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