Diego Vara/Reuters
BR Distribuidora passa a se chamar Vibra Energia Diego Vara/Reuters

BR Distribuidora muda de nome para Vibra para se distanciar de Petrobras

Empresa muda de nome dois meses após a Petrobras sair totalmente do seu quadro de acionistas; Vibra Energia quer ser vista como uma companhia de energia de baixa emissão de carbono

André Jankavski, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2021 | 17h33

Dois meses após ver a Petrobras sair totalmente do seu quadro de acionistas, a BR Distribuidora decidiu mudar de nome. Agora, a empresa vai se chamar Vibra Energia. A mudança foi anunciada ontem pelo presidente da companhia, Wilson Ferreira Junior. Segundo ele, a intenção da empresa é fazer uma transformação total e ser vista como uma companhia de energia de baixa emissão de carbono.

"Liderei várias transformações empresariais nos últimos 25 anos, a maior parte delas no pós ou no pré-privatização. Vamos pensar em novos negócios para a transição energética, na importância da conveniência, dos negócios da chamada adjacência, da fidelidade e meios de pagamentos digital", disse ele.

O processo durou 14 meses para ser concluído, tendo começado antes mesmo da chegada de Ferreira Junior na companhia. Para criar toda a concepção da nova marca, a agora Vibra Energia contratou o escritório Tátil Design, de Fred Gelli, que foi um dos criadores da logomarca das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. 

De acordo com a empresa, os mais de 8,3 mil postos continuarão utilizando a logomarca da BR, assim como o nome da Petrobras, já que a Vibra ainda tem um contrato licença da marca. O mesmo acontece com o lubrificante Lubrax e as lojas de conveniência BR Mania. Mas, de acordo com Gelli, a nova identidade deve chegar aos postos em algum momento. “Não sabemos quando, mas isso deve acontecer”, diz ele.

Independência

A mudança de nome também marca a independência da Vibra Energia do seu principal controlador há décadas. Nos últimos quatro anos, a Petrobras já havia se desfazendo de parte das ações da antiga BR Distribuidora. Porém, a desestatização aconteceu em 2019, quando a petroleira diminuiu a sua participação de 71% para 41%. Em junho deste ano, a Petrobras finalizou a venda.

Atualmente, 87% das ações da Vibra Energia estão em livre circulação no mercado, o chamado free float. O restante está na mão dos maiores acionistas da companhia, que são os fundos Samambaia e BlackRock, com 7,95% e 5,01%, respectivamente. 

Novo momento

Desde o momento em que assumiu a companhia, em março deste ano, Ferreira Junior já prometia que faria da BR Distribuidora uma empresa de energia limpa, e não apenas de venda de combustíveis. A nova marca, portanto, seria um marco para concretizar essa mudança de estratégia.

Segundo Gelli, a criação do nome e da logomarca teve um processo desafiador porque a ideia era criar uma marca que tivesse a conexão com o novo momento da empresa, mas que não deixasse para trás a história da BR Distribuidora. 

“A marca tinha que representar a energia, mas com um lado mais humano. Por isso, o símbolo da logomarca lembra energia, mas também o pulsar de um coração”, afirma. “E as letras BR continuam na nossa marca, mas sem tanto destaque porque queremos valorizar a nossa autonomia e independência nesse novo momento.”

Para Eduardo Tomiya, CEO da TM20 branding, como a marca Petrobras vai continuar nos postos, trata-se de uma mudança para acenar ao mercado de capitais que agora a Vibra é uma nova empresa. Ele também cita as mudanças recentes que vêm acontecendo no mercado, como, por exemplo, a mudança de nome da Via Varejo para apenas Via

“As empresas querem mostrar por meio das suas marcas que elas são modernas e ornam com os novos momentos, até mesmo por uma questão de sobrevivência”, diz Tomiya. “Essa é a visão dos negócios atualmente.”

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Vibra Energia vai oferecer o combustível que o consumidor precisar, diz Wilson Ferreira Júnior

Presidente da companhia, a antiga BR Distribuidora, disse que apesar do novo foco na transição energética, grande capilaridade logística e agilidade na entrega vão continuar sendo o diferencial do negócio

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2021 | 20h12

RIO - A Vibra Energia, novo nome da BR Distribuidora, foi lançada, na quarta-feira, para oferecer ao consumidor o “combustível que ele precisar”, disse Wilson Ferreira Júnior, presidente da empresa, ao Estadão/Broadcast. Os postos varejistas vão continuar ostentando o nome da Petrobras, da qual é originária. Mas os negócios que vierem pela frente vão nascer com a nova identidade. A intenção é inserir a companhia - há 50 anos vendedora de produtos fósseis e poluentes, como gasolina e óleo diesel - no mapa da transição energética. Uma das alternativas em análise, por exemplo, é comercializar gás metano, ‘mais limpo’. Parcerias nessa área devem ser anunciadas em breve, antecipou Ferreira Júnior.

O gás metano é produzido a partir da decomposição de materiais orgânicos. Por isso pode ser extraído do lixo. Como as conversas com possíveis parceiros ainda estão acontecendo, Ferreira Júnior preferiu não detalhar como a empresa vai entrar nesse mercado.

“Somos o cara que vai comprar no mundo, vai comprar aqui (no Brasil) e vai entregar. Somos quem vai atrás do que você precisa e te entrega, no prazo mais rápido, e com o melhor preço. Isso é o que torna a gente muito útil”, disse o executivo, enfatizando que a BR mudou de nome, mas pretende continuar se diferenciando pela sua grande capilaridade logística, por ter uma infraestrutura de armazenamento e transporte maior do que a das suas principais concorrentes.

Num primeiro momento, os combustíveis derivados do petróleo continuam a ser o carro-chefe da distribuidora. Mas a empresa já prepara o terreno para uma virada que deve se consolidar, definitivamente, num horizonte de, no máximo, duas décadas. Até lá, a Vibra tem a garantia de poder ostentar a marca BR em seus postos, como previsto em contrato com a Petrobras. Depois disso, ela vai poder escolher usar seu próprio nome ou renovar o acordo com a petrolífera estatal. Mas isso ainda não está definido.

"Esse relacionamento que a companhia tem no Brasil e no exterior (como importadora de combustíveis) e nossa capacidade de entregar é o nosso jeito de ser. Vamos fazer assim com o GNL (gás natural liquefeito), com energia elétrica, com hidrogênio... Queremos escalar por aí”, acrescentou o presidente da Vibra.

No setor elétrico, a empresa é dona de 70% de uma comercializadora. E, assim como desenvolveu uma operação de grande porte nessa área, o mesmo deve ser feito no segmento de GNL, segundo Ferreira Júnior. “Não precisamos produzir. Temos escala para distribuir. A importação de GNL é só o começo. Tem que liquefazer no terminal, transportar no caminhão, que é uma coisa que a gente já faz, e regaseificar para entregar ao consumidor. Esse é o nosso negócio”

A Vibra será o guarda-chuva dos ativos e serviços tradicionais e dos que serão incorporados. Em breve, a empresa será também negociada na B3, no lugar das ações BRDT, que vão desaparecer. Mas só o nome vai ser substituído, o papel continuará o mesmo.

Planejamento

A mudança de nome começou a ser preparada, na verdade, antes mesmo de a Petrobras vender sua participação remanescente na empresa, no início de julho deste ano. Mas, Ferreira Júnior conta que o projeto de inserir a distribuidora na transição energética foi idealizado por ele e apresentando ao conselho de administração quando ainda era presidente da Eletrobras. O executivo assumiu o cargo em março.

“Eu estudava muito o tema do meio ambiente e acho isso inexorável. Na minha conversa com os conselheiros que me entrevistaram, eu coloquei essa história.

Esse é o papel que a gente vai poder exercer e bem. Fica sempre mais difícil para um produtor (de combustíveis, como a Petrobras) fazer diferente. O produtor se vicia naquilo. Ele fica comprometido a vender aquilo, seja isso bom ou ruim, seja uma refinaria ou uma plantação de etanol. Do nosso lado, ter a liberdade de, junto com o cliente, estudar o que é melhor para ele, não tem preço. É nisso que quero ser diferente”, disse o presidente da Vibra.

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