Bradesco perto de comprar 49% do banco do Carrefour no País

Além da base de cartões, negociação pode incluir o direito de oferecer seguros e financiamentos nas lojas da rede 

Altamiro Silva Junior, de O Estado de S. Paulo,

21 de fevereiro de 2011 | 23h00

O Bradesco está perto de comprar uma fatia no Carrefour Soluções Financeiras (CSF), o banco da rede francesa no Brasil, segundo duas fontes próximas às negociações. Além do Bradesco, Itaú, Santander e Banco do Brasil se interessaram pela aquisição de 49% do banco e visitaram o data room (centro de informações) em São Paulo. A melhor proposta até o momento foi a do Bradesco, de acordo com as fontes.

As negociações para a compra de uma fatia do CSF são feitas na sede da rede varejista, em São Paulo. Ao contrário do Banco Panamericano, que precisou de solução rápida e foi vendido ao BTG Pactual, os ativos financeiros do Carrefour estão em bom estado e, por isso, a rede negocia de forma discreta. Quem está cuidando da operação é a própria matriz, na França.

Embora o balanço da CSF não seja preocupante, a operação brasileira do Carrefour passa por problemas após a descoberta de um rombo contábil de R$ 1,2 bilhão que levou à troca de executivos do alto escalão. A venda de uma fatia no banco seria uma forma de alavancar as operações financeiras da rede no Brasil. Cerca de 40% das vendas são pagas com os cartões da rede.

O CSF tem ativos de R$ 5,9 bilhões e carteira de crédito de R$ 4,7 bilhões, segundo dados do Banco Central. O patrimônio líquido soma R$ 557 milhões.

Possibilidades. Além de cuidar de uma base de 10 milhões de cartões (incluindo plásticos com bandeira Visa e Mastercard e um cartão próprio da rede), os bancos estão interessados na possibilidade de usar com exclusividade as lojas para oferecer produtos financeiros, como seguros e financiamentos.

Por isso, além das negociações de compra de uma fatia no banco, também está na mesa o acesso aos clientes da rede com exclusividade por vários anos. Só a compra das ações da CSF é estimada em cerca de R$ 550 milhões. Procurados pela Agência Estado, Carrefour e os bancos citados não se pronunciaram.

Uma das fontes ouvidas lembra que o interesse do Bradesco pelos ativos está no fato de o banco ainda não oferecer seus produtos em uma rede de supermercados. O Itaú Unibanco tem uma financeira em conjunto com o Pão de Açúcar e cuida dos cartões Hipercard, oferecidos com exclusividade pelo Walmart.

A Cetelem, financeira que pertence ao banco francês BNP Paribas, era parceira do Carrefour no Brasil desde 1999, quando comprou uma fatia de 40% da administradora de cartões da rede de supermercados. A financeira, porém, tinha somente a participação acionária e não explorava a rede do Carrefour.

Em 2009, a Cetelem começou a reavaliar sua operação no País por causa de resultados aquém do esperado e resolveu desfazer a sociedade com o Carrefour, repassando as ações para a gigante do varejo - processo que deu origem à atual negociação.

 

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