Bradesco prevê crescimento de até 10% no crédito para empresas em 2015

Bradesco prevê crescimento de até 10% no crédito para empresas em 2015

A alta de juros esperada para ocorrer nos Estados Unidos em 2015 deve elevar o custo de captação das empresas brasileiras, mas isso não deve impedir a colocação de bônus no exterior, prevê o vice-presidente do banco

Altamiro Silva, Correspondente em Nova York

17 de novembro de 2014 | 17h23

NOVA YORK -  O Bradesco prevê um crescimento da carteira de crédito para pessoa jurídica ampliada, que inclui avais e fianças, de 6% a 10% em 2015, de acordo com o vice-presidente do Bradesco, Sérgio Clemente. O cenário mais provável, por enquanto, é que a expansão fique na faixa mais baixa da meta.

Para o executivo, as projeções dependem de se o ajuste fiscal esperado para o governo em 2015 passará por uma redução de empréstimos nos bancos públicos e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Se isso ocorrer, abre espaço para os bancos privados aumentarem a presença no mercado de crédito, afirma o vice-presidente do Bradesco. Este ano, a meta da carteira para pessoa jurídica é também de 6% a 10%.

O banco estima que há ainda R$ 34 bilhões para ser financiado, considerando as obras que já foram licitadas pelo governo e precisariam de crédito. "A infraestrutura pode ser uma das molas propulsoras do crescimento em 2015 e mesmo em 2016", disse o executivo, ao participar  fórum do Bradesco BBI, em Nova York. Presidentes de 87 empresas brasileiras participaram o evento, para falar com investidores e analistas que acompanham a economia brasileira. Um dos palestrantes foi  Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York.

"O mercado de ações depende muito do ambiente macroeconômico. A maior volatilidade que era em função das eleições já passou. O investidor agora está atento ao cenário macroeconômico", avalia Clemente. O mercado de emissões de ações, tanto no Bradesco BBI como no resto do mercado, está praticamente parado este ano, com apenas duas operações.

Para o vice-presidente do Bradesco, o que complicaria as operações no mercado de capitais brasileiro seria a perda do grau de investimento. Clemente, por enquanto, não vê chances da perda da nota.

Juros. A alta de juros esperada para ocorrer nos Estados Unidos em 2015 deve elevar o custo de captação das empresas brasileiras, mas as companhias devem continuar conseguindo colocar bônus no exterior para se financiar, avalia o vice-presidente executivo do Bradesco.

"Toda vez que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) mexe nos juros, há no curto prazo um rearranjo dos fluxos de capital globais, mas ainda sim continua tendo espaço para operações de renda fixa no mercado internacional feitas por empresas brasileiras", disse o executivo em uma entrevista a jornalistas nesta segunda-feira, 17. O custo de captação, porém, pode ficar inicialmente mais alto.

"A emissão no exterior vai continuar sendo fonte importante de financiamento", afirmou Clemente. "Este mercado não fecha para o Brasil", completou. Para o executivo, o mercado continua aberto neste momento para empresas com rating mais alto e mesmo para aquelas de maior risco que já tenham histórico de emissões no exterior, ou seja, sejam conhecidas pelos investidores estrangeiros.

Nas operações de renda fixa no mercado doméstico, Clemente avalia que pode ter em 2015 demanda maior por debêntures de infraestrutura, para financiar os projetos. "Se os projetos de infraestrutura se acelerarem, o mercado de renda fixa pode ser maior que em 2014", disse ele.

O banco estima que os fundos de private equity, carteiras especializadas em comprar participações em empresas, tem disponíveis de cerca de US$ 18 bilhões para investidor no Brasil. Os fundos, destaca Clemente, se capitalizaram recentemente e estão com recursos em caixa. Clemente faz a ressalva que nem todo este montante pode ser aplicado só em 2015.

"O Brasil ainda é uma boa aposta, continua tendo oportunidades para o que se tem que investir em infraestrutura", disse o executivo. O grande desafio para o País em 2015 é retomar o crescimento econômico, afirmou.

O executivo avalia que o interesse pelo Brasil no momento não é como há alguns anos, quando todo mundo estava apostando no País, mas os investidores seguem interessados no País. 

Pesquisa. O Bradesco está abrindo em São Paulo uma área de pesquisas para ações de empresas de países da América Latina, disse Sérgio Clemente. Para isso, deve contratar mais analistas nas próximas semanas.

Inicialmente são três analistas dedicados a cobrir empresas de países da região, incluindo o México, e os mercados da área Andina (como Chile e Peru e Colômbia). Clemente destaca que o objetivo é chegar a oito analistas.

Clemente destaca que a expansão internacional do Bradesco não tem foco no varejo, mas em acompanhar as empresas brasileiras no exterior. Tanto as companhias que operam nos Estados Unidos, como as na Europa, além de buscar negócios de companhias destas regiões que operem no Brasil.

Nos EUA, por exemplo, o executivo conta que o Bradesco BBI já participou de operações de renda fixa da General Motors e da Ford, por conta dos negócios que as duas maiores montadoras norte-americanas têm no Brasil. "Não vamos atuar em varejo, não vamos fazer grande aquisição", afirma Clemente, destacando que o foco é o crescimento orgânico.

No México, o Bradesco ainda espera a licença para abrir um banco, que acabou demorando um pouco mais que o esperado para sair. Uma das opções em estudo seria também abrir uma corretora no país, mas ainda não há detalhes, de acordo com o vice-presidente. Fora do Brasil, o Bradesco tem corretora em Londres, Hong Kong e EUA. Não há planos, por enquanto, de abrir corretora em outros mercados.

Tudo o que sabemos sobre:
Bradesco

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.