Brasil amplia exportações de frango com preços recordes

O Brasil, maior exportador mundial decarne de frango, com domínio de 40 por cento do mercadomundial, está ampliando fortemente as suas vendas externas, eelas deverão crescer mais no segundo semestre, mesmo em umquadro de preços recordes do produto, avaliou nestaquarta-feira a Abef, que representa o setor. As cotações do frango exportado pelo país, que atingiram1,8 dólar por quilo em média de janeiro a maio, alta de 32 porcento em relação ao mesmo período do ano passado, aumentaram emfunção dos preços recordes do milho, principal insumo daavicultura, e também como forma de amenizar as perdas derentabilidade da valorização do real. "Tivemos um aumento assustador do milho e da soja. Se nãohouvesse uma reação (de preço) em dólar, seria impossívelexportar", disse nesta quarta-feira o presidente da AssociaçãoBrasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef), oex-ministro da Agricultura Francisco Turra. O resultado do aumento de preços em dólar pode ser vistonas exportações do setor nos primeiros cinco meses de 2008.Enquanto os embarques aumentaram 18 por cento em volume, para1,5 milhão de toneladas, cresceram 56 por cento em receita,para 2,7 bilhões de dólares. Para a Abef, esse crescimento nas exportações deve serampliado ainda mais no segundo semestre, um período em quetradicionalmente as vendas são maiores, e também com maisaumentos de preços, uma vez que os custos dos principaisinsumos não dão sinal de dar trégua. "O quadro internacional hoje é tão diferente que podechegar a 2 (dólares por quilo)", afirmou o diretor executivo daAbef, Christian Lohbauer, ao responder a jornalistas sobre oslimites de transferência de custos. "O quadro internacional para aumentos é tal... Nãoimaginávamos que poderia chegar a 1,8 dólar no começo do ano echegou. Veja aí o custo do milho (que representa mais de 50 porcento de produção de frango)", acrescentou Lohbauer, apontandopara os recentes recordes na bolsa de Chicago . Segundo ele, o custo de produção em países concorrentes doBrasil, como os EUA, ainda são mais altos. A indústria de aves, na avaliação de Turra, não vê riscosrelacionados a uma eventual diminuição do ritmo de embarques emfunção dos preços, como já ocorreu com o setor de carne bovina,um produto mais caro [ID:nN10353295]. "Com o frango não há problemas religiosos nem restriçõessanitárias, é uma carne barata e há tendência de crescimento. OBrasil acessa 150 mercados e acho que vamos ampliar", declarouo ex-ministro, que assumiu a presidência da Abef recentemente. Turra afirmou ainda que as exportações seguem em um ritmoforte em junho e o setor deve fechar o semestre com vendas de3,5 bilhões de dólares. "Se as projeções se efetivarem... quero ter a liberdade deachar que as exportações passarão dos 6 bilhões de dólares noano, podendo chegar a 6,5 bilhões de dólares", disse ele, o queseria um aumento de 1,5 bilhão de dólares em relação a 2007. Apesar das previsões otimistas, o diretor executivo admitiuque as margens das indústrias estão menores, mesmo com osmercados interno e externos demandantes. CONSUMO INTERNO A produção brasileira de carne de frango somou 4,4 milhõesde toneladas entre janeiro e maio deste ano, crescimento de 7por cento ante o mesmo período de 2007, com o mercado internoabsorvendo 2,9 milhões de toneladas, ou 65 por cento. O consumo no Brasil aumentou 2,5 por cento em 2008 ante oano passado, para 38 quilos per capita anuais. Segundo o diretor executivo da União Brasileira deAvicultura (UBA), Clóvis Puperi, o aumento do consumo de frangoestá mais ligado ao crescimento da renda da população maispobre. "Não temos observado a substituição de carne bovina pela defrango... Os novos consumidores que chegam ao mercado consomemprimeiro a carne de frango", disse Puperi, observando que oconsumo no país deve repetir o desempenho de 2007, crescendo 4por cento em 2008.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

18 de junho de 2008 | 17h34

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