Brasil apoia uma reforma financeira global, diz Meirelles

Sobre a inflação, Meirelles disse que 'se enganam aqueles que acham que o BC será leniente'

Luciana Xavier, da Agência Estado,

24 de abril de 2010 | 12h41

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse neste sábado, 24, que o Brasil apoia uma reforma financeira global, mas deixou claro que é preciso diferenciar a situação de cada país no que diz respeito à possibilidade de taxação maior das instituições financeiras.

 

Segundo ele, esse foi o ponto sobre o qual "não houve acordo" na reunião de ontem do G-20, na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, pois, assim como o Brasil, outros países que não se considera m "responsáveis pela crise" rejeitam uma taxação.

 

"O Brasil já tem uma regulação financeira mais rígida", explicou hoje, em entrevista na embaixada brasileira em Washington, pouco antes de seguir para a sede do FMI para o segundo dia de reuniões do G-20. "A taxação no País sobre o sistema financeiro já é maior do que em outros países, portanto, deve-se levar em conta a situação de cada país."

 

Ele mencionou ainda que o Brasil tem imposto de renda mais elevado para instituições financeiras e tem avançado no que diz respeito ao registro de operações com derivativos. Além disso, Meirelles lembrou que a exigência de depósitos compulsórios, muito criticada por alguns, ajudou a proteger o sistema financeiro brasileiro no momento de crise.

 

No entanto, segundo o presidente do BC, não há dúvidas no G-20 sobre a importância de se manter como primeira necessidade o prosseguimento na reforma do sistema financeiro, independentemente de alguns países terem sofrido menos ou se recuperado mais rapidamente.

 

Meirelles disse que é preciso "manter o vigor" no empenho de fazer mudanças que previnam o mundo de um nova crise, estabelecendo, entre outros itens, melhor qualidade de capital, maior colchão de liquidez, registro de derivativos, além de se colocar regras mais rigorosas para instituições sistematicamente importantes.

 

Defesa contra críticas ao BC

 

O presidente do Banco Central também rebateu críticas de que o BC estaria atrás da curva, atrasado em começar a subir os juros. "O BC tem compromisso com o regime de metas e se enganam aqueles que acham que o BC será leniente com a inflação", reiterou Meirelles, na embaixada do Brasil, em Washington. "O BC vai continuar sendo absolutamente rigoroso no cumprimento do regime de metas e isso certamente demanda uma ação enérgica durante todo o processo."

 

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) se reúne nos dias 27 e 28 para decidir como ficará a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 8,75% ao ano. De um total de 66 instituições consultadas pelo AE Projeções, 35 casas esperam um aumento da taxa em 0,50 ponto porcentual, 30 aguardam uma elevação de 0,75 ponto e apenas uma casa prevê uma puxada de 1 ponto porcentual da taxa.

 

Grécia é alerta

 

Meirelles disse ainda que os problemas fiscais na Grécia, que deixaram os mercados muito tensos diante do temor de default, servem de alerta para o mundo todo. Para ele, uma vez que as economias estejam em recuperação consistente "todo o mundo terá que enfrentar a questão fiscal".

 

"A Grécia é um problema sério para a Grécia. Mas os problemas na Grécia importam na medida em que sinalizam os tipos de dificuldades fiscais que outros países poderão enfrentar, especialmente os do Mediterrâneo", afirmou Meirelles, durante entrevista na embaixada do Brasil, em Washington, pouco antes de seguir para a sede do Fundo Monetário Internacional (FMI) para reunião do G-20.

 

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, anunciou ontem (23) que "chegou o momento" de acionar o pacote de ajuda do FMI e União Europeia, sendo o primeiro país da Zona do Euro a receber ajuda do FMI.

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