Brasil avança na competitividade, mas segue em 37º lugar em ranking da Fiesp

Apesar de ter subido 0,5 ponto na lista, País se manteve na mesma colocação em que está desde 2008

Anne Warth, da Agência Estado,

17 de novembro de 2011 | 18h03

A nota do Brasil em termos de competitividade subiu 0,5 ponto de 2009 para 2010, de acordo com o Índice Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) de Competitividade das Nações, mas essa elevação não foi suficiente para fazer com que o País ganhasse posições no ranking de 43 países, no qual o Brasil segue em 37º lugar desde 2008. Essa é a avaliação do diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, que afirmou que boa parte dos países que compõem o índice teve avanços de forma mais rápida que o Brasil nos últimos anos.

Foi o caso de Coreia do Sul, atualmente em sexto lugar, Rússia (25º) e China (28º), por exemplo. Por outro lado, países que entraram em crise recentemente, como Grécia (33º), Itália (24º) e Portugal (29º), ainda ocupam colocações à frente do Brasil em razão de um estoque de anos de indicadores econômicos e sociais melhores avaliados. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Brasil, por exemplo, aumentou 2,33% ao ano entre 2000 e 2010, mais do que a média dos 43 países, que foi de 2,09%. Porém, a velocidade do crescimento do PIB per capita do grupo de países que mais avançaram no ranking no período foi de 3,53% - esse conjunto inclui Coreia do Sul, Israel, República Checa, Rússia, Hungria, China, Polônia, Argentina, México e Turquia.

O Brasil também avançou no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e melhorou 7,6% nos últimos dez anos, acima da média de 43 países, que foi de 5,2%, e inclusive acima do grupo de nações com maior avanço no ranking, que cresceu 7%. Apesar disso, o IDH brasileiro é de 0,699, em uma escala de 0 a 1 (do pior para o melhor), enquanto a média dos 43 países é de 0,803 e a do grupo de nações selecionadas pelo índice calculado pela Fiesp, de 0,778.

De acordo com Roriz Coelho, fatores como aumento do investimento, acúmulo de reservas e crescimento com gastos em educação influenciaram positivamente a competitividade do Brasil. Já a carga tributária e a queda das exportações de manufaturas e de alta tecnologia puxaram o Brasil para baixo no ranking. Segundo ele, na última década, entre os 43 países analisados, o Brasil foi o oitavo a ganhar maior competitividade, saindo de uma nota de 18,4 pontos em 2000 para 24,8 pontos em 2010. A nota vai de 0 a 100, sendo que quanto mais próximo de 100, mais competitivo.

Nos últimos dez anos, o Brasil ganhou 6,4 pontos, menos que os 11,4 da China, 9,6 da Coreia do Sul e 9,1 da Rússia. Esses países tiveram avanços na produtividade da indústria, investimentos em pesquisa e desenvolvimento e registro de patentes. Entre os que mais perderam competitividade na década, estão Japão (-11,4 pontos), Venezuela (-9,4) e África do Sul (-9,2). Segundo o diretor da Fiesp, as três nações registraram queda na balança comercial, nos investimentos e nos indicadores tecnológicos.

Entre os 50 mil dados agrupados para compor o ranking, Roriz Coelho destacou aqueles que mais poderiam proporcionar uma posição melhor ao Brasil em termos de competitividade - a redução da carga tributária, a diminuição do consumo do governo, a queda dos juros e do spread bancário, o aumento dos investimentos e a ampliação do crédito ao setor privado. O consumo do governo brasileiro corresponde a 21,2% do PIB, enquanto no grupo de países selecionados a média é de 16,3%. A carga tributária brasileira corresponde a 33,6% do PIB e a do grupo de países que compõem o índice, 27,1%. A taxa de juros do Brasil é 6,6 vezes maior que a média das 43 nações pesquisadas e o spread é 11,5 vezes maior que o verificado no Chile, na Itália, no Japão e na Malásia.

"Não podemos nos contentar com uma melhora razoável. Comparativamente a nós mesmos, melhoramos, mas em relação a outros países poderíamos ter evoluído mais", afirmou o diretor da Fiesp. Roriz cita como exemplo os indicadores sociais do Brasil. "Nossos indicadores sociais evoluíram, mas com o tamanho da carga tributária que temos deveriam ter melhorado muito mais. Não é que o governo não tenha dinheiro, o fato é que ele é mal aplicado."

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