Brasil deve olhar com cuidado normas para controle de capital, diz Meirelles

Ex-presidente do BC alertou em palestra em NY para 'medidas que possam diminuir capacidade do País de se proteger contra os desequilíbrios'

Luciana Antonello Xavier, da Agência Estado,

18 de abril de 2011 | 13h23

O ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles afirmou nesta segunda-feira, 18, que o Brasil deve olhar "com cuidado" normas que possam vir a ser que adotadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no que se refere ao uso de controle de capitais. Ele reconheceu que o papel do FMI vem "mudando substancialmente" e que o debate é importante, mas lembrou que o País tem feito sua lição de casa. "O Brasil tem de olhar com muito cuidado medidas que possam diminuir capacidade do País de se proteger contra os desequilíbrios. É um debate válido, mas o Brasil vai deixar claramente sua posição", afirmou a jornalistas, após palestra no "2011 Brazil Summit", promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, com apoio da Agência Estado, em Nova York.

Há duas semanas, o FMI mudou posição que mantinha há 70 anos e passou a endossar o uso de controle de capitais apenas como ferramenta a ser usada em último caso e propôs adotar um código de conduta a ser seguido por países que adotam o controle de capitais. O tema foi um dos mais debatidos durante o encontro de primavera do FMI e Banco Mundial que ocorreu no último final de semana, em Washington. As nações desenvolvidas apoiam que o FMI adote um código de conduta para o uso de controle de capitais, enquanto o Brasil se coloca contra essa possibilidade. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deixou claro durante o encontro que o Brasil continuará a adotar medidas necessárias para inibir o influxo exagerado de capitais, como a implementação e posterior aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) para capital externo.

"O Brasil está fazendo o seu dever de casa na sua economia e está contribuindo para equilíbrio global e não para o desequilíbrio, na medida em que está com mercado interno crescente, forte. Portanto, não está desequilibrando globalmente a economia seja por meio de excesso de poupança ou de alavancagem", disse Meirelles.

Meirelles lembrou que o papel do FMI está mudando substancialmente e hoje tem papel global de supervisão, incluindo de economias ricas. "No passado, isso era feito apenas com países devedores do FMI, que tinham estado, ou estavam, sujeitos aos acordos de financiamento. Hoje em dia se decidiu que o Fundo deve exercer esse papel com a economia global. O FMI também tem trabalho de analisar e deixar claro questão dos desequilíbrios globais. Evidentemente, quando começa a estabelecer suas políticas é normal que isso tem que ser aperfeiçoado", acrescentou.

Meirelles foi indicado pela presidente Dilma Rousseff para presidir a Autoridade Pública Olímpica (APO) e a confirmação do cargo deve ainda ser feita pelo Senado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.