Brasil deve ter leve redução nas fusões e aquisições este ano

O movimento recorde de fusões eaquisições de 2007 no Brasil não deve se repetir em 2008 emfunção, principalmente, da volatilidade nos mercadosinternacionais por conta dos temores de uma recessão nosEstados Unidos. Mas outros fatores devem manter o setor com umritmo forte no país. Segundo analistas ouvidos pela Reuters, o bom caixa dasempresas, o real valorizado e a continuidade da liquidezinternacional, apesar da crise de crédito, vão ajudarcompanhias brasileiras a irem às compras. "Se a volatilidade nos mercados globais continuar por maisseis meses, vamos sentir uma diminuição nos negócios noterceiro ou quatro trimestre deste ano. Mas, por enquanto, nãohá nenhum sinal de cancelamento ou mesmo paralisação do setor",disse Raul Beer, sócio da consultoria PricewaterhouseCoopers(PwC). "E não vimos mudanças porque as empresas brasileiras estãocom um bom caixa em função do aumento do consumo interno e ocâmbio também está ajudando", explicou o advogado AlexandreTadeu Navarro, que já trabalhou em transações que envolveramempresas como Sadia e Arcelor Mittal. Segundo a PwC, as empresas brasileiras participaram de 718transações de fusões ou aquisições em 2007 no país, sendo que osetor de alimentos liderou a alta com 95 operações. O resultadototal foi um crescimento de 25 por cento sobre o ano anterior eficou acima dos números de 2000 (624 transações), recordeanterior. Agora em janeiro, segundo dados ainda não fechados da PwC,o número de transações ficou entre 50 e 60. MOTOR INTERNO Em meio às incertezas internacionais, Cláudio Ramos, daKPMG, destacou a conjuntura nacional como fator propulsor dasfusões e aquisições. "O aumento do consumo interno, o crescimento da massasalarial e a expansão do crédito são os motivos das empresasbrasileiras para consolidarem mercados", disse Ramos. Ele entende que o "Brasil está num ciclo anterior de fusõese aquisições em relação a outros países". "Dados globais divulgados pela KPMG em 2007 revelaram que osetor apresentava sinais de maturação. No Brasil, no entanto,ainda não, ainda há espaço para crescimento, mas não num ritmocomo o de 2007", acrescentou. O executivo da KPMG toma como base índices que medem acapacidade de aquisição das companhias. "Observamos doisindicadores: o índice de preço/lucro (P/L) projetado em 12meses e o nível de endividamento medido pela dívidalíquida/Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação eamortizações)." Segundo ele, o P/L e sua variação entre períodos analisadosapontam uma piora ou melhora na capacidade de uma empresa usarcapital próprio para fazer uma aquisição. "Quanto maior o índice ou sua variação mais aquecido fica osetor e é o que observamos no Brasil", argumentou. DE OLHO NO EXTERIOR Para Navarro, este ano será perceptível o aumento dointeresse de companhias brasileiras por empresas no exterior. "Estamos numa posição de disponibilidade financeira e decâmbio bastante positiva", disse o advogado. Ramos, da KPMG, acredita que o excesso de liquidez nosmercados globais ajudará neste processo. "Com a queda abrupta dos juros nos EUA, o dinheiro voltaráa ficar disponível. Talvez haverá um pouco mais de rigor (nosempréstimos), mas não haverá queda de disponibilidade." De fato, o principal destaque deste início de ano foi oanúncio pela Vale de suas intenção de adquirir a mineradorasuíça Xstrata por 90 bilhões de dólares. Em 2007, as maiores operações que envolveram gruposbrasileiros foram a aquisição da siderúrgica norte-americanaChaparral Steel pela Gerdau (4,2 bilhões de dólares), a vendado Grupo Ipiranga para o consórcio Petrobras/Ultra/Braskem por4 bilhões de dólares e a compra da Suzano Petroquímica pelaPetrobras por 2,2 bilhões de reais.

WALLACE NUNES, REUTERS

08 de fevereiro de 2008 | 16h50

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