Brasil e Argentina têm gesto de ‘boa vontade’ e liberam produtos na fronteira

Acordo prevê a liberação imediata a partir desta sexta de algumas guias de importação, mas não acaba com o sistema de licenciamento não-automático

Raquel Landim e Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo, e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

19 de maio de 2011 | 18h56

Como "gesto de boa vontade", Brasil e Argentina vão liberar alguns produtos parados na fronteira. A partir desta sexta-feira, 20, o governo brasileiro vai autorizar a entrada de alguns carros argentinos. Em contrapartida, o país vizinho permitirá o ingresso de baterias, pneus e calçados brasileiros.

Segundo fontes do Ministério da Indústria da Argentina, o Brasil se comprometeu a liberar mil dos 3 mil veículos parados, mas o governo brasileiro não confirma. Não há informações do volume de produtos que a Argentina se comprometeu a permitir a entrada em seu território.

Só a Toyota tem 50 carretas paradas, com 350 veículos modelos Hilus e SW4. Desde que a barreira começou, a Toyota parou de despachar veículos da fábrica argentina. Apesar da liberação parcial, os carros importados continuam sujeitos a licença não-automática de importação, que pode demorar até 60 dias.

O Estado antecipou na edição de ontem que Brasil e Argentina poderiam começar a liberar produtos. A decisão foi tomada nesta quinta-feira em conversa pelo telefone entre o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento do Brasil, Alessandro Teixeira, e o secretário da Indústria da Argentina, Eduardo Bianchi.

O objetivo é permitir um clima mais positivo para a reunião entre Teixeira e Bianchi, que acontece segunda e terça-feira, em Buenos Aires. Nesse encontro, serão discutidos todos os aspectos da relação bilateral. Apenas se não houver acordo devem ser reunir os ministros do Desenvolvimento do Brasil, Fernando Pimentel, e da Indústria da Argentina, Débora Giorgi.

O ministro da Economia da Argentina, Amado Boudou, disse ao Estado que está "otimista" sobre a solução da atual crise comercial. "Os dois países são sócios. E tanto um quanto o outro possuem chances de crescer nos dois lados da fronteira", afirmou. "Estou confiante de que tudo andará bem."

Geladeiras. Os exportadores brasileiros vem enfrentando retenção de produtos na fronteira ou em depósitos alfandegários dentro da Argentina. Entre os setores afetados que não foram beneficiados pelos "gestos de boa vontade", estão máquinas agrícolas, chocolates e geladeiras.

O conflito entre os dois países esquentou na semana passada, quando o Brasil começou a aplicar licenças não-automáticas para a importação de carros vindos de todos os países do mundo, mas atingiu diretamente a Argentina. O país vizinho destina a maior parte de suas exportações do setor automotivo ao Brasil.

Segundo fontes ligadas às montadoras brasileiras, é preciso encontrar uma solução para o conflito com a Argentina, porque o comércio automotivo entre os dois países é intenso. As licenças não-automáticas de importação, no entanto, também atingem carros asiáticos, que são alvo de preocupação. A participação dos veículos importados no consumo doméstico subiu de 5% em 2005 para 23% hoje./COLABOROU CLEIDE SILVA

Texto atualizado às 20h25

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