Valentin Flauraud/Reuters
Valentin Flauraud/Reuters

Brasil é o maior mercado de assinantes para a América Móvil

Bilionário mexicano se voltou ao País em 2000, com estratégia que incluiu amizade próxima com o ex-presidente Lula

O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2016 | 05h00

O mexicano Carlos Slim se voltou para o Brasil em 2000, comprando empresas de celulares para criar uma companhia nacional. Lutou por quase uma década contra um processo do braço de investimentos do banco estatal de desenvolvimento, o BNDES, e esperou pacientemente que os parlamentares permitissem a estrangeiros aumentar seu controle da televisão paga. Típico de Slim. 

Hoje, o mercado de assinantes brasileiros é o maior da América Móvil. Sua estratégia incluiu fazer amizade muito próxima com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que hoje enfrenta acusações de corrupção. Slim não foi acusado de nenhuma irregularidade. 

Não foi a primeira vez que ficou amigo de um presidente. No Panamá, tornou-se amigo de Martín Torrijos, visitando-o, jantando com ele e até lhe emprestando um jato para ir ao enterro do papa João Paulo II. 

Slim tem outro lado polêmico. Segundo funcionários do governo, ele usa a regulamentação com incontáveis recursos legais para ajudar ricos e poderosos que passaram a identificar seu sucesso com o deles próprios. Essa acusação irrita Slim, que nega usar a regulamentação em benefício. Hoje, cabe ao cliente escolher, no México ou em qualquer lugar, disse ele. “É impossível, num mercado de 110 milhões de consumidores, segurar alguém, a não ser que o cliente prefira ficar com você”. 

O IMPÉRIO DE SLIM

Origem 

Filho de imigrantes libaneses, Carlos Slim herdou uma loja de varejo da família e construiu um império, pedaço a pedaço. 

Estratégia 

Mesmo antes de se tornar um nome muito famoso no México, Slim já era rico. Nos anos 1980, ele enriqueceu comprando empresas na bancarrota. 

Monopólio 

Em 1990, o presidente Carlos Salinas, sob pressão para vender empresas estatais, sondou o interesse de Slim em comprar a companhia telefônica nacional, Teléfonos de México. A proposta era direta: em troca de investir na empresa, o comprador teria monopólio temporário do setor. A Telmex se tornou uma das líderes no mercado acionário de Wall Street  

Nos EUA 

Embora o domínio de Slim – e seus lucros – estejam sob ameaça no México, sua fortuna não depende mais disso. Ele investiu na varejista CompUSA e fez um empréstimo de US$ 250 milhões para o ‘The New York Times’ 

Outros negócios 

Suas empresas constroem e alugam plataformas petrolíferas oceânicas, cavam poços de petróleo e operam barragens no Panamá. No México e EUA, construíram oleodutos. Ele faz ainda negócios com o mais famoso membro da Halliburton, Dick Cheney, investindo com o ex-vice-presidente na WellAware, startup de softwares para a indústria petrolífera. O projeto do aeroporto mexicano de US$ 13 bilhões também tem as digitais do bilionário.

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