Brasil elevará venda de carne em 2010 após queda em 2009--Abiec

As exportações de carne bovina do Brasil em 2010 deverão ter crescimento de no mínimo 10 cento em relação a 2009, ano em que as vendas externas do país sofreram fortemente os efeitos da crise financeira, previu nesta terça-feira o presidente da Abiec, associação que reúne os exportadores.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

22 de dezembro de 2009 | 18h37

"Devemos ter recuperação de 200 mil a 300 mil toneladas (ante 2009)", declarou Roberto Gianetti da Fonseca, principal executivo da entidade, indicando que isso poderia elevar o total exportado pelo país no ano que vem para um patamar próximo do verificado em 2008, quando os brasileiros exportaram cerca de 2,2 milhões de toneladas (equivalente carcaça).

A Abiec estima que o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina, fechará 2009 com queda de 11 por cento em comparação ao ano passado, com embarques de 1,92 milhão de toneladas.

Segundo Gianetti, o aumento previsto para 2010 ocorrerá com vendas adicionais para a União Europeia, Chile, países do norte da África e Hong Kong, que reexporta parte das compras para a China continental.

"Estamos progredindo com a habilitação de fazendas para a União Europeia... Ano que vem, talvez as exportações (para UE) passem de 200 mil toneladas", afirmou o executivo a jornalistas, lembrando que antes de os europeus endurecerem as regras de rastreabilidade de gado o Brasil exportou para a UE 400 mil toneladas, em 2007.

Neste ano, as vendas para a UE, o destino que paga os melhores preços pela carne, "talvez" tenham chegado a 150 mil toneladas, disse o presidente da Abiec, contra menos de 100 mil em 2008.

O Brasil recuperou também neste ano o mercado do Chile, que estava fechado para vendas externas desde 2005, quando o país sofreu com focos de febre aftosa. E o total embarcado no ano que vem para os chilenos pode superar as 40 mil toneladas de 2009, segundo a Abiec --os brasileiros já chegaram a exportar anualmente aos chilenos 100 mil toneladas.

"A briga para voltar ao Chile é boa", disse Gianetti, lembrando que esse mercado foi ocupado por empresas brasileiras que têm operações na Argentina e Uruguai.

Aliás, o grande desafio para o exportador brasileiro é o câmbio, que deixa o gado nacional comparativamente mais caro, em dólares, do que o animal de outros competidores.

"Comprar a arroba a 43 dólares e vender a tonelada da carne a 3.500 dólares dá uma margem estreita", disse Gianetti.

Ele, porém, avalia que haverá espaço para aumento de preços em 2010. "Meu palpite é que vamos voltar a ter preços de 4 mil dólares por tonelada."

As exportações do país em dezembro devem fechar com um preço médio de 3.559 dólares por tonelada, recuperação expressiva em relação ao piso deste ano, de 3 mil dólares, em março.

FIM DA CRISE?

De acordo com o executivo, a crise financeira internacional que prejudicou os negócios de frigoríficos está superada.

"Foi muito duro 2009. Tivemos sacrifícios em preços, volumes, mas o período de crise passou. Posso dizer que em 2010 teremos crescimento entre 10 e 20 por cento no valor exportado, uma combinação de preço e quantidade, e estou sendo modesto."

Segundo a entidade, a receita com as exportações do produto em 2009 deverá atingir 4,11 bilhões de dólares, contra 5,32 bilhões no ano passado.

Uma questão ressalvada pela Abiec para o ano que vem, no entanto, é lentidão da recuperação econômica da Rússia, o maior destino da carne in natura brasileira em 2009, com mais de 30 por cento do total exportado pelo Brasil.

Até novembro, os embarques direcionados à Rússia caíram 17 por cento, em meio à crise financeira.

"Está havendo uma recuperação (na Rússia), mas é lenta... Em 2010, as exportações ainda serão menores do que em 2008", admitiu o presidente da Abiec.

Tudo o que sabemos sobre:
COMMODSCARNEABIEC*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.