Brasil está caminhando para conversibilidade da moeda, diz Meirelles

Para presidente do BC, pontos vistos como limitações são aplicação das leis referentes à lavagem de dinheiro

Daniela Milanese, da Agência Estado,

27 de setembro de 2010 | 16h18

O Brasil está caminhando para a conversibilidade da moeda, afirmou nesta segunda-feira, 27, em Londres o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Ele lembrou que já foram tomadas várias iniciativas nessa área nos últimos anos. "O Brasil está se movendo nessa direção", disse. Ele avaliou que se trata de um processo gradual, já que ainda há restrições, como a proibição de contas em moeda estrangeira no País.

No entanto, o presidente do BC disse que alguns pontos vistos como limitações referem-se, na verdade, à aplicação das leis referentes à lavagem de dinheiro. "O que as pessoas veem como restrição é, na verdade, a lei de lavagem de dinheiro, aplicada de forma rigorosa no Brasil."

Meirelles defendeu a atuação do Banco Central no mercado de câmbio para a construção de reservas internacionais, que têm o objetivo de proteger o Brasil de crises futuras. "O câmbio brasileiro nunca foi tão livre como agora", disse ele, ao responder ao questionamento de um investidor, após palestra promovida pela BB Securities. "Agora estamos comprando dólares, isso é completamente diferente de uma intervenção no sentido de tentar fixar uma taxa de câmbio. Estamos construindo um seguro contra crises."

Petrobrás

Passada a operação da Petrobrás, agora há uma lista de empresas vindo a mercado, disse em Londres o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Somente a capitalização da estatal, de cerca de R$ 120 bilhões, supera tudo o que foi emitido no País neste ano. A necessidade de revitalização do mercado de capitais brasileiro foi discutida por muitos anos, lembrou Meirelles. O País já contava com órgão regulador e regras prontas, avaliou. "Mas, no final das contas, era preciso a previsibilidade econômica para decolar."

Após palestra para investidores promovida pela BB Securities, Meirelles foi questionado sobre o aumento da participação do governo na Petrobrás. Ele respondeu que a empresa sempre teve o governo como principal acionista e sua participação segue abaixo de 50% (subiu para 48% depois da capitalização). "As ações foram vendidas e foi um grande sucesso."

Meirelles fica até amanhã em Londres, onde participa de reuniões com investidores.

(Texto atualizado às 16h43)

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