Brasil está perto de ser maior o player mundial de alimentos, diz ministro da Agricultura

Wagner Rossi disse que, dado o crescimento demográfico global, os alimentos ganharão cada vez mais destaque nas comercializações

Venilson Ferreira, da Agência Estado,

28 de julho de 2010 | 10h27

O Brasil tem condições de se tornar, em um futuro breve, o maior player mundial no setor de alimentos, na avaliação do ministro da Agricultura, Wagner Rossi. "Já estamos perto disso", disse a jornalistas após participar das comemorações dos 150 anos do Ministério da Agricultura. Rossi acredita que, dado o crescimento demográfico global, os alimentos ganharão cada vez mais destaque nas comercializações. "Nada será mais importante que os alimentos. E o Brasil é o maior produtor de alimentos no mundo", disse.

Durante seu discurso, o ministro salientou que 42% das exportações brasileiras são do setor agrícola ou pecuário. Além disso, comentou que agricultores e pecuaristas conseguiram se desvencilhar dos impactos da crise financeira internacional com rapidez e de "cabeça erguida". Ele também comentou a respeito da expectativa de produção recorde de grãos este ano, sobre a importância do meio ambiente e da necessidade de plantio de florestas no País, prática que foi vista inicialmente com preconceito por alguns produtores.

Rossi, que foi um dos poucos ministros indicados politicamente para assumir uma pasta quando os titulares se desvincularam para concorrer às eleições de outubro, foi só elogios ao presidente Lula. Segundo ele, o presidente tem origem urbana, mas sensibilidade para questões de agricultura e pecuária. "Lula foi o presidente que mais apoiou a Agricultura", disse, arrancando aplausos de funcionários e demais presentes à celebração.

O ministro brincou ainda com a comemoração dos 150 anos do Ministério dizendo que a agricultura já estava mencionada na certidão de nascimento do Brasil. Ele citou que, na carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, após o descobrimento, havia a famosa frase: "Nesta terra, em se plantando tudo dá".

Wagner Rossi disse também que apenas um seguro rural que garantisse inclusive os lucros cessantes poderia resolver o problema de queda de renda na agricultura brasileira, provocada pela globalização dos mercados.

Ele reconheceu que o atual sistema de crédito rural e de apoio à comercialização não é perfeito, pois cobre apenas os custos variáveis, os desembolsos feitos pelos agricultores no plantio de cada safra, sem remunerar a terra, o capital e o garantir lucro.

Rossi observa que a política agrícola é importante porque evita "desastres homéricos" que poderiam ocorrer no caso de uma adversidade climática catastrófica ou de preços baixos, pois estes fatores não podem ser controlados. A limitação para a expansão do seguro é o custo bastante elevado da operação. "O governo tem conseguido subsidiar parte do pagamento do seguro, mas uma parcela muito pequena tem acesso ao benefício", diz ele.

Em relação ao endividamento agrícola, que ultrapassa R$ 100 bilhões, o ministro Wagner Rossi lembrou que esta é uma questão estrutural, decorrente dos planos econômicos e da manipulação de preços pelos países desenvolvidos. Ele afirmou que tem sensibilidade para reconhecer as dificuldades enfrentadas pelos agricultores, mas disse não ser possível resolver o problema até o fim do atual governo. Na opinião do ministro, o problema do endividamento deve ser encaminhado pelo próximo governo, com um programa de quatro a oito anos, para depois a agricultura entrar no regime de mercado.

Hoje o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento comemora 150 anos. Entre outras homenagens, haverá a entrega da medalha do sesquicentenário por Rossi a ex-ministros da Pasta, representantes do agronegócio, instituições de pesquisa e ensino rural. A cerimônia está marcada para as 15h30, no Clube do Exército, em Brasília, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião será lançado, também, o Selo Comemorativo dos 150 Anos Ministério da Agricultura.

Tudo o que sabemos sobre:
agriculturarendaseguro rural

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.