Brasil importa inflação de alimentos, diz Rodrigues

Ex-ministro voltou a atribuir aumento das commodities à redução na oferta com perdas em países produtores

Gustavo Porto, Agência Estado

28 de abril de 2008 | 19h30

O ex-ministro da Agricultura e presidente do conselho consultivo da Agrishow, Roberto Rodrigues, afirmou, nesta segunda-feira, 28, que o Brasil importa a inflação mundial de alimentos, já que o País é auto-suficiente em praticamente todas as principais culturas agrícolas. Ele voltou a atribuir o aumento no preço das commodities agrícolas à redução na oferta com perdas de safras em países produtores, ao aumento no consumo de países em desenvolvimento e, principalmente, na ação dos grandes fundos dos investimentos no mercado futuro. "Há uma grande especulação e, infelizmente, os fundos deixaram de aplicar no mercado imobiliário e migraram para os alimentos, que subiram de preço. Não há problemas de desabastecimento no País, exceto no caso do trigo, já que não somos auto-suficientes, por isso importamos essa inflação mundial de alimentos e não temos a menor responsabilidade do aumento nas commodities", disse Rodrigues, durante a Agrishow, em Ribeirão Preto. Sobre o trigo, o ex-ministro considerou que "a Argentina vai dar com os burros n'água" ao fechar as exportações do grão para o Brasil. Segundo Rodrigues, a medida vai incentivar o cultivo do grão no País - o governo já sinalizou que pretende aumentar os recursos para a cultura em 2008/09 - e a fatia de mercado Argentina no País deve ser ocupada pelos produtores locais. "Os argentinos vão perder o mercado cativo que têm aqui", disse. Rodrigues afirmou ainda que o governo brasileiro acertou ao recuar da proposta, considerada "sem sentido por ele", de impedir as exportações de arroz. O ex-ministro defendeu a criação de estoques públicos de alimentos para o abastecimento e a regulação do mercado interno em períodos de pouca oferta. Indagado se concordava com a política do atual do Ministério da Agricultura e da Companhia Nacional de Abastecimento, de manutenção de estoques baixos, Rodrigues disse que "desconhece qual a política de hoje, mas que a política de quando era ministro todos conheciam e era favorável à criação de estoques."

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