Brasil mudou de status e passou a ter muita influência no FMI, diz Mantega

De acordo com o ministro da Fazenda, a cota brasileira era de 1,38% até 2008 e agora o Brasil voltou a subir, atingindo 2,32%

Célia Froufe, Adriana Fernandes e Eduardo Rodrigues, da Agência Estado,

25 de outubro de 2010 | 16h01

O Brasil possui hoje muita influência nas decisões do Fundo Monetário Internacional (FMI), na avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega. "O Brasil mudou de status e a influência hoje é maior do que a participação em cotas que o Brasil tem", disse durante entrevista coletiva. De acordo com Mantega, a cota brasileira era de 1,38% até 2008, quando o FMI passou por uma reforma e o Brasil atingiu fatia de 1,78%. Agora, o Brasil voltou a subir, atingindo 2,32%.

De acordo com o ministro, os dez países com maiores cotas no fundo são EUA e Japão, além de quatro da União Europeia (Reino Unido, França, Itália e Alemanha) e quatro países emergentes (Brasil, Rússia, Índia e China). "Houve uma grande mudança e os maiores emergentes estão agora ao lado de países europeus e dos EUA", avaliou.

"Essa é uma nova correlação de forças que se estabelece e que reconhece os emergentes como protagonistas", continuou.

A reforma de cotas pela qual passou o FMI não é a ideal nem a definitiva, mas já é um avanço, na avaliação do ministro da Fazenda. "Nos colocamos entre dez países com maior quantidade de cotas. Saímos de uma posição subordinada para de protagonistas", afirmou.

Mantega salientou que até 2013 os critérios para definição de cotas do fundo devem ser alterados "para o nosso lado". De acordo com ele, a fórmula que define o peso de cada país será modificada naquele ano, com a inclusão do PIB e de PPP. "Até 2014 haverá reformulação da cota e, como o Brasil deve avançar mais, devemos ter uma nova posição mais favorável."

Emergentes

Os países emergentes obtiveram agora um papel de protagonistas do FMI na opinião de Mantega. Segundo ele, essa posição dos emergentes já vinha se destacando em 2008 e se consolida este ano com a nova reforma do fundo. "As discussões eram muito tímidas no passado", considerou Mantega.

Hoje, segundo ele, está em operação um novo FMI, que deixa de ser um simples monitorador dos emergentes e passa a ser representado de fato por esse conjunto de países. "O Brasil teve desempenho especial nessa reforma", afirmou. Na opinião do ministro, o balanço é o de que a reunião do G-20 foi "muito boa". "O encontro foi muito bom para o Brasil, para os Brics, para todos os países, com avanços importantes", considerou. 

BRICs

Mantega destacou que o Brasil foi o segundo país, atrás apenas da China, que ganhou o maior volume de cotas na reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovada na última reunião de ministros de Finanças do G-20 na Coreia do Sul, no fim de semana. Ele disse que por pouco os países do Bric (Brasil Rússia, Índia e China) não conseguiram alcançar, juntos, o poder de veto nas decisões do FMI. Segundo ele, algumas decisões do fundo exigem 85% de aprovação e os EUA são o único país que, sozinho, tem poder veto, porque têm 17% das cotas. Os Brics têm 14,18% juntos e precisam de 15%, só mais 1%, para ter poder de veto. "Mais um pouquinho a gente chega lá", afirmou Mantega.

Ele disse que isso foi um avanço importante e que contou com a participação fundamental do diretor gerente do fundo, Dominique Strauss-Kahn. Ele disse que em 2014 o FMI fará uma nova  reforma que dará peso maior ao PIB na definição das cotas. Como o Brasil, segundo Mantega, continuará crescendo, o ministro previu que o Brasil vai se reposicionar novamente "a maior" nessa nova reforma.

Ele disse que essa reforma também prevê a redução para a Europa nas cadeiras do comitê de governadores do fundo, responsável pelas decisões do FMI. Esse comitê tem 24 cadeiras. Com a reforma aprovada no final de semana passado, a Europa perdeu duas cadeiras e os países emergentes ganharam mais duas.

O ministro também informou que as cotas do FMI, que na prática funcionam como ações, foram dobradas de US$ 343 bilhões para US$ 686 bilhões em cotas. O Brasil, segundo Mantega, não precisará fazer aporte de recursos porque recentemente fez um aporte em uma linha especial do fundo chamada "NAB" e esse aporte feito, explicou Mantega, será transformado em cotas.

O ministro disse ainda que vai demorar uns dois anos para que todo esse processo de reforma seja implementado na prática. Ele classificou de marco histórico para o FMI, e sobretudo para os países emergentes, a nova reforma aprovada para o fundo.

Ele destacou também que nos governos anteriores o Brasil era subordinado ao fundo e hoje não é mais. 

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