Brasil não terá etanol até próxima década para EUA, diz Unica

No entanto, caso lei de redução de subsídios seja sancionada por Obama, é possível que novo ciclo de investimentos brasileiro se desenvolva para atender demanda norte-americana

Gustavo Porto, da Agência Estado,

16 de junho de 2011 | 18h38

O presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Marcos Jank, admitiu nesta quinta-feira, 16, que o Brasil não terá um excedente exportável de etanol para o mercado norte-americano ao menos até a próxima década, mesmo se os subsídios para o combustível forem eliminados e derrubada a tarifa de importação de US$ 0,54 por galão nos Estados Unidos. "Claramente não teremos produto no curto prazo, pois a prioridade é abastecer o mercado doméstico e regular a oferta para a frota flex fuel", disse Jank, se referindo às dificuldades de oferta de etanol para o mercado brasileiro, no atual cenário de estagnação da produção de cana e de aumento na demanda.

No entanto, segundo o presidente da Unica, caso a lei de redução de subsídios passe pela Câmara e seja sancionada pelo presidente Barack Obama, há uma sinalização de um novo ciclo de investimentos do setor privado brasileiro para atender a demanda dos Estados Unidos. "O Brasil tem condições de se planejar para suprir essa possível demanda para exportação ao longo da década", disse Jank. "Assim como nos planejamos no passado para exportar 70% do açúcar que produzimos", completou.

Ele lembra que o mercado norte-americano tem metas de consumo para 2022 de 15 bilhões de litros por ano de etanol avançado, aquele cuja cadeia de produção é, por exemplo, capaz de mitigar a emissão de gases de efeito estufa. O etanol brasileiro de cana é classificado como avançado pelos norte-americanos, ao contrário do de milho, produzido naquele país.

Jank avalia ainda que a demanda de 15 bilhões de litros por ano, dez vezes superior às exportações brasileiras anuais para todo o mundo, de 1,5 bilhão de litros, não seria suprida apenas pelo combustível do Brasil e dependeria ainda dos preços relativos do combustível na próxima década e de outros fatores, como a taxa de câmbio do Brasil. "Atualmente somos até importadores de etanol", lembrou o presidente da Unica, referindo-se à recente compra no exterior para suprir a demanda interna feita pelas usinas brasileiras.

Commodity Global

Jank ainda afirmou nesta quinta-feira que a decisão do Senado dos Estados Unidos sinaliza a transformação do combustível em uma commodity global. "É o velho sonho do setor privado e do governo da consolidação do etanol como commodity global, por meio da política comum de deixar o etanol circular livremente e de criar um mercado mundial como o do petróleo", afirmou Jank.

O executivo avaliou a decisão como uma batalha vencida em uma guerra que dura 30 anos e lembrou que a medida faz parte de uma lei de ampla de redução de subsídios, a qual deve passar pela Câmara dos Deputados e pela sanção, ou veto, do presidente Barack Obama. "A batalha mais difícil é a do Senado, cuja representatividade dos estados agrícolas é maior que na Câmara", disse. "Se for aprovado também na Câmara, o presidente Obama não vetará", completou Jank.

O executivo disse ainda que as discussões na Câmara devem ser feitas no segundo semestre e que uma aprovação final da retirada dos subsídios para os produtores de etanol só deve ser finalizada entre setembro e outubro.


 

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