Brasil pede aos EUA abertura do mercado para o adoçante estévia

Brasília, 27 - O Brasil solicitou ao governo americano a abertura do mercado para estévia, adoçante não calórico capaz de adoçar 300 vezes mais que o açúcar de cana, de acordo com informações do Ministério da Agricultura. Para solicitar a abertura, o ministro Roberto Rodrigues encaminhou correspondência, há alguns dias, ao Ministério da Saúde dos Estados Unidos. Das folhas da estévia, planta originária do Paraguai e do Sul do Brasil, são extraídos adoçantes naturais não calóricos. De acordo com informações da assessoria do Ministério da Agricultura, os Estados Unidos permitem o consumo de estévia somente como suplemento alimentar, ou seja, os rótulos não podem indicar que o produto é um adoçante natural. Juntamente com a União Européia, os Estados Unidos são os principais consumidores de adoçantes químicos do mundo (ciclamato, sacarina, aspartame). Estima-se que cerca de 16 milhões de norte-americanos são diabéticos. Em junho, o Joint Experts Committe on Food Additive (JECFA), órgão conjunto do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e da Organização Mundial de Saúde (OMS), que seleciona e regulamenta alimentos constantes do Codex Alimentarius, decidiu favoravelmente à proposta do Brasil e do Japão para regulamentação do consumo de extrato de estévia em nível mundial. A recomendação é de consumo diário de 2,0 mg por peso corpóreo. O Brasil foi o segundo país a conseguir isolar, em laboratório, os princípios edulcorantes (adoçantes) da estévia, mas apesar de ter um grande potencial para abastecer o mercado externo, a produção ainda é pequena. O Paraná, maior produtor brasileiro, tem cerca de 70 hectares de lavouras com a planta. Sua produção é basicamente por meio de pequenas propriedades devido ao uso intenso de mão-de-obra. Para ampliar o plantio da estévia no Brasil, a Embrapa desenvolve, em parceria com o setor privado, pesquisas para o lançamento de mudas adaptadas a outras regiões do país. Segundo o assessor da Embrapa, Afonso Celso Candeira Valois, estão sendo desenvolvidas pesquisas para introdução da planta no Mato Grosso do Sul (Dourados), Maranhão (Barra do Corda) e região do Cerrado. O pesquisador informou que em todo o mundo existem 15 empresas que fabricam o adoçante natural, sendo 12 instaladas no Japão, duas na China e uma no Brasil, inaugurada na década de 80 em Maringá, Paraná, quando teve início a exploração comercial da estévia. Existem 200 espécies da planta, das quais quatro ocorrem no Brasil e apenas duas produzem adoçante. Além do Brasil, Japão e China, ela é cultivada também em Taiwan, Estados Unidos, Canadá e Bolívia, entre outros países. Os japoneses, inclusive, introduziram a cultura no país a partir de plantas nativas brasileiras melhoradas (plant breeding).

Agencia Estado,

27 de setembro de 2004 | 18h42

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