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Brasil Pharma entra com pedido de recuperação judicial

Empresa, que tem dívidas de R$ 1 bi com o BTG, vinha num processo de reestruturação societária e econômica, mas não encontrou solução no âmbito extrajudicial

Luana Pavani, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2018 | 09h47

A Brasil Pharma, empresa do banco BTG Pactual no setor de farmácias e drogarias, ajuizou pedido de recuperação judicial em São Paulo. O pedido envolve a companhia em conjunto com nove sociedades do Grupo BRPH. A empresa vinha num processo de reestruturação societária e econômica, mas não encontrou no âmbito extrajudicial solução, como explica em fato relevante.

Ainda na continuidade do processo de reestruturação das dívidas e obrigações, o Grupo BRPH afirma que negociará com seus credores "uma solução ampla e efetiva com o intuito de solucionar a crise financeira", e que durante a recuperação judicial concentrará esforços para preservar suas atividades comerciais e operacionais e "assim cumprir com seus compromissos e obrigações."

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A oferta pública de aquisição de ações (OPA) em curso, para saída da companhia do segmento especial Novo Mercado da B3, segue inalterada até o momento, ainda de acordo com o fato relevante divulgado nesta madrugada. A ofertante na OPA é a controladora Stigma, e o valor por ação decorrente de laudo de avaliação realizado pelo Banco Modal, como informado em dezembro, é de R$ 0,14. "Em entendimentos com a Stigma II, a Companhia foi informada que eventuais impactos da Recuperação Judicial Grupo BRPH sobre a OPA estão sendo analisados e serão, caso existam, prontamente comunicados ao mercado e aos acionistas".

Na noite de ontem, o presidente do conselho de administração da Brasil Pharma, Roberto Bocchino Ferrari, renunciou e a empresa informou que o cargo ficará temporariamente vago, devido ao impedimento de o atual vice-presidente do colegiado, Paulo Remy Gillet Neto, assumir, já que também acumula o cargo de diretor presidente. 

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Dívida. O pedido de recuperação judicial da rede de farmácias Brasil Pharma menciona duas emissões de dívida no total de quase R$ 1 bilhão como os passivos mais relevantes da companhia. O documento, elaborado pelo escritório Thomaz Bastos, Waisberg, Kurzweil Advogados, afirma que medidas tomadas no passado para melhorar a situação de caixa da companhia não foram suficientes para normalizar a operação e suprir a necessidade de capital de giro.

As principais dívidas da Brasil Pharma envolvem seu antigo controlador, o BTG Pactual. A empresa foi vendida em abril do ano passado pelo valor simbólico de R$ 1 mil para a gestora Lyon Capital e tem sido gerida por Paulo Remy, empresário que também é sócio da construtora WTorre.

Entre as dívidas da Brasil Pharma, está uma emissão de Cédula de Crédito Bancário (CCB) no valor de R$ 511 milhões, feita em janeiro de 2017 em favor do Banco Modal e que mais tarde foi cedida para uma empresa da própria BTG Investments, a BTGI VIII Empreendimentos e Participações. Há ainda debêntures de R$ 400 milhões emitidas em abril e que têm o BTG Pactual como credor.

"Apesar de ter se logrado êxito, nos últimos anos, na redução da dívida total e na estruturação de novos instrumentos de dívida de longo prazo como resultado de um processo de reestruturação iniciado no ano de 2014, as medidas tomadas desde então não foram suficientes para normalizar a operação e suprir a necessidade de capital de giro", diz o documento enviado pelos advogados.

 

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