Brasil precisa ter ‘paciência’ na relação com Argentina, diz Miguel Jorge

Para ex-ministro, Brasil é para a Argentina o que a China é para o Brasil, 'guardadas as proporções'

Guilherme Soares Dias, da Agência Estado,

27 de maio de 2011 | 16h17

O ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Miguel Jorge afirmou nesta sexta-feira, 27, que o Brasil precisa ter "paciência" na relação comercial com a Argentina, levando em consideração sua grandiosidade em relação ao vizinho. "Somos para Argentina, guardadas as proporções, o que China é para o Brasil. A população, o Produto Interno Bruto (PIB) e a produção industrial brasileira são algumas vezes maior do que as da Argentina", disse, durante entrevista a AE TV da Agência Estado.

O ex-ministro classificou a barreira que o Brasil impôs aos automóveis argentinos como "tiro de canhão" e lembrou que situação é de atrito, mas acredita em resolução. "Essa questão é muito episódica. No meu período como ministro, também ocorreram questões como essa. Nós sempre chegamos a um acordo", destacou.

Miguel Jorge defendeu também que o Brasil precisa ser mais competitivo para concorrer com os produtos chineses. "Precisa reduzir carga tributária, custos trabalhistas, já que competimos de forma desigual com a China, onde os salários são muito baixos e não existe benefícios para o trabalhador", afirmou.

"Devemos tratar a China como parceiro especial. Eles são grandes exportadores, mas também podem ser consumidores dos nosso produtos manufaturados", disse, lembrando que 80% das exportações brasileiras são de commodities e de minério de ferro. "Temos que fazer esforço, para conhecer o mercado chinês para entrar lá. A China é um jogador importante no mercado mundial e temos que tirar o melhor disso."

Miguel Jorge criticou ainda o setor industrial brasileiro que importa peças chinesas para a produção local, mas critica a entrada de produtos provenientes do país asiático. "Tem muita coisa que é mais barata do que custo de produção e corrigimos essa deformação do comércio, mas sou contra medidas protecionistas defendidas por alguns setores da indústria", afirmou o ex-ministro.

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