Brasil reduz lista de fazendas aptas a vender carne para a UE

País entrega relação de 200 propriedades que diz cumprirem exigências da União Européia para a exportação

Jeremy Smith, da Reuters,

22 de fevereiro de 2008 | 13h24

O Brasil revisou para baixo e entregou uma lista de cerca de 200 propriedades que diz cumprirem com as exigências da União Européia para a exportação de carne bovina, disseram nesta sexta-feira, 22, autoridades da comissão executiva da UE.  Os europeus suspenderam as importações de carne bovina do Brasil no final de janeiro, quando iniciaram controles mais rigorosos sobre a rastreabilidade dos animais e regras gerais mais severas de importação. Os exportadores brasileiros criticaram as restrições da UE, afirmando serem injustificadas e protecionistas. "A Comissão recebeu hoje, das autoridades brasileiras, uma lista com menos de 200 propriedades acompanhada pelos respectivos relatórios de inspeção", disse um funcionário da comissão. O Ministério da Agricultura no Brasil não pôde confirmar a informação imediatamente. "Os serviços da Comissão Européia estão neste momento examinando os documentos", disse a autoridade, explicando que uma equipe de inspetores da UE daria início na segunda-feira a inspeções das propriedades listadas pelo Brasil para verificar se elas cumprem com os padrões e exigências da UE. No início do ano, autoridades européias esperavam receber uma lista de 300 propriedades que no entendimento do bloco estariam aptas a cumprir com as novas exigências. Mas o Brasil, inicialmente, enviou uma relação com mais de 2.600 fazendas, que foi rejeitada. Posteriormente, o governo brasileiro reduziu a lista para um número entre 500 e 600 fazendas, e novamente não houve acordo em reunião realizada em Bruxelas, onde ficou acordado que os técnicos europeus viriam para o Brasil avaliar as propriedades. A UE vai precisar de cerca de três semanas para avaliar o relatório de inspeção da equipe, assim como a lista de propriedades entregues pelo Brasil, disseram autoridades. O Brasil é o maior exportador do mundo de carne bovina, com vendas estimadas em US$ 4,2 bilhões em 2007.  As restrições da UE seguiram-se a um forte lobby de produtores europeus, particularmente da Grã-Bretanha e da Irlanda, para que as importações do Brasil fossem proibidas. Produtores da UE reclamam que a carne brasileira não cumpre com os padrões do bloco.  O Brasil nega as acusações, afirmando que a ação da UE é injustificada, não tem relação com critérios sanitários e tem apenas o objetivo de elevar os preços da carne para os produtores europeus ao limitar as importações.

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