Brasil tem melhor resultado no festival de publicidade Cannes

Com 67 leões garantidos, País atinge novo patamar na principal premiação do segmento

Marili Ribeiro, de O Estado de S. Paulo,

24 de junho de 2011 | 23h00

Com 67 Leões garantidos na bagagem, os profissionais da propaganda brasileira estabeleceram um novo patamar para o desempenho do País no Cannes Lions. É o melhor resultado do Brasil em troféus no maior festival mundial do meio publicitário, desde que, há uns dez anos, ele vem aumentando as categorias em competição. Este ano foram 13.

Entre os novos Leões conquistados, está mais um de ouro, que foi ganho na categoria que julga a produção e realização dos filmes comerciais, ou Film Craft Lions.

Na lista preliminar de Film Craft os brasileiros haviam emplacado três finalistas. Dois deles ganharam. O ouro ficou com o filme Balões, da Loducca, que teve produção da ParanoidBR. O outro Leão é um bronze, e foi para Manobrista bêbado, da agência Ogilvy, com produção da Hungry Man.

Melhora. Erh Ray, sócio da agência Borghierh Lowe e jurado brasileiro em Film Lions, conta que dos 14 filmes que se classificaram na reta final, passaram cinco, sendo dois Leões de prata e três de bronze.

A agência AlmapBBDO conquistou três troféus para os seus clientes Volkswagem e Embratel. Já os outros dois prêmios são: um da Loducca, para o canal de televisão MTV, e outro para a Young & Rubicam para a operadora Vivo.

Apesar de satisfeito com os cinco Leões, o melhor desempenho na categoria nos últimos três anos, Ray reconhece que o Brasil ainda é bastante deficiente na categoria quando comparado a outros países. "Nós temos talentos e competências, pois profissionais da área de produção de filmes são reconhecidos lá fora e realizam filmes no exterior. Então, precisamos trazer essa atuação para dentro do País", diz ele.

Fora do Pareo. Nas categorias outras cateorias que faltam revelar os resultados, o Brasil sequer classificou trabalhos nas listas preliminares.

No caso de Titanium & Integrated, que tem seis anos de existência e premia as chamadas ideias "matadoras" por sua capacidade de supreender em ações de marketing, as chance do Brasil tem sido tradicionalmente pequenas. Entre outras razões porque a implementação dessas histórias requer maior investimento dos anunciantes.

Já em Creative Effectiveness, categoria fresquinha que estreou este ano, o Brasil até inscreveu sete trabalhos, mas também não obteve indicação preliminar. Nessa nova categoria, o prêmio vai para as campanhas que produziram "efetivos resultados" em vendas e receita para os anunciantes que pagaram pelas campanhas. Há necessidade de comprovação de dados. No Brasil, não é habitual a área de marketing das companhias revelarem resultados.

Profissionalismo. A nova categoria abre para o negócio de prestação de serviços de marketing, mais exigências, transparência na atuação e cobrança. Isso, dizem alguns, vai exigir que o modelos de negócios das agências tenha que se reinventar. Com a entrada da comunicação em ritmo digital, com outras demandas dos consumidores e projetos cada vez mais segmentados e com maior demanda de execução, as agências tradicionais têm de mudar a atuação. Há eficiências que têm que ser buscadas, como já ocorreu em outras atividades voltadas para a prestação de serviço.

Muitos jurados que nunca passaram pela condição de selecionar peças em júris compostos por integrantes dos mais diferentes países, confessam que se surpreendem com o profissionalismo dos seus pares. Mais que isso ainda, acharam que ficou evidente que as disputas ficam cada vez mais difíceis até mesmo para o Brasil, que tem longa tradição no festival. Aliás, esse ano, não foi diferente, o Brasil inscreveu 2.647 peças na 58ª Cannes Lions. Ficou atrás apenas dos EUA, que inscreveu 4.045.M

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