Brasil tem poucos servidores públicos, mas despesa é alta, diz OCDE

De acordo com estudo, grupo representa 12% do total de empregados do País, ante uma média de 22% entre os membros da OCDE

Renato Andrade, da Agência Estado,

20 de maio de 2010 | 16h07

O Brasil tem poucos funcionários públicos na comparação com outros países, mas as despesas com esse grupo de servidores é maior do que a média gasta pelos 31 países que integram a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

De acordo com estudo da entidade internacional divulgado nesta quinta-feira, 20, os servidores públicos representam 12% do número total de empregos no País, enquanto a média da OCDE é de 22%. O número brasileiro engloba os funcionários dos governos federal, estadual e municipal, além das pessoas que trabalham em empresas estatais.

Na comparação de despesas, entretanto, o Brasil gasta mais para manter esse pequeno grupo do que o verificado nos outros países. Enquanto no País os gastos com servidores representam 12% do Produto Interno Bruto (PIB), a média dos países-membros da OCDE é de 11%.

"O desafio colocado é que precisamos ter resultados mais significativos. Hoje o governo paga bem, mas precisa entregar para a sociedade um produto melhor", disse Francisco Gaetani, secretário-executivo adjunto do Ministério do Planejamento.

Para Luiz Alberto dos Santos, sub-chefe de Análise e Acompanhamento de Políticas Públicas Governamentais da Casa Civil, é preciso tomar cuidado com as comparações incluídas no estudo, principalmente no caso das despesas. "Destes 12%, pelo menos um terço é gasto com aposentado que não é coberto com contribuição corrente e em outros países esse tipo de despesa não consta da folha de pagamento, o que faz uma enorme diferença", disse.

Os dados do estudo são defasados. A análise sobre o número de servidores públicos considera informações de 2005, enquanto as despesas foram calculadas com base em dados de 2006. Boa parte dos reajustes salariais promovidos pelo governo federal foi feita depois deste período.

Além de fazer uma radiografia sobre o número de servidores e os custos envolvidos para mantê-los, o estudo sugere um pacote de mudanças visando aprimorar o sistema de avaliação dos funcionários públicos e reestruturar o sistema salarial do setor. "É recomendável que o governo aumente as pressões para a busca de eficiência na gestão da força de trabalho", afirmam os técnicos da OCDE no relatório.

Uma das sugestões apresentadas é reorganizar os grupos e carreiras de servidores e melhorar as estruturas de incentivo, com mais mecanismos para encorajar o desempenho. "O papel do Congresso em estabelecer os detalhes dos níveis de remuneração e alterações destes níveis por carreira poderia ser modificado para que os salários se tornem uma questão mais técnica e gerencial e menos sujeitas à força dos lobbies", afirma a OCDE no documento de 337 páginas.

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