Brasil tem sucessos nas suas emissões externas

O Estado de S. Paulo,

18 de novembro de 2011 | 08h06

Em meio a um quadro mundial muito conturbado, o Brasil não titubeou ememitir títulos no mercado externo neste mês.

A primeira emissão foi feita pelo Tesouro Nacional, em 4 de novembro, com a segunda reabertura do seu título de referência (benchmark) de 30 anos - o bônus global 2041, no valor de US$ 1,1 bilhão. Anteontem, foi o Banco do Brasil que emitiu, na forma de "notas", no mercado internacional, US$ 500 milhões, com prazo de cinco anos, a primeira captação de recurso no exterior de uma instituição financeira brasileira em quase seis meses.

Essas captações de recursos externos apresentam uma característica comum: procuram avaliar se, apesar do clima muito pouco propício, existe, ainda, para um país emergente, possibilidade de sucesso na tentativa de lançamento de títulos.

A primeira emissão foi de um bônus soberano, papel que, em virtude da crise na União Europeia, tem hoje, em geral, uma reputação suspeita e, por isso, somente se realiza a uma taxa de remuneração altíssima. No entanto, a emissão do Tesouro brasileiro pode ser considerada bem-sucedida. O cupom de juros é de 5,625% ao ano, mas o preço de emissão é de 114,70% do valor de face, o que permite ter um rendimento (yield) de 6,64% ao ano. Trata-se, para os títulos de 30 anos emitidos pelo Tesouro, da menor taxa de juro.

Por outro lado, enquanto, desde a crise da Grécia, os bancos europeus passam por uma fase muito delicada, em que estão tendo muitas dificuldades para captar recursos, o Banco do Brasil parece ter tido também um grande sucesso com sua emissão. O seu título foi muito bem recebido. Isso se explica pelo fato de que hoje o Brasil não apresenta risco de inadimplência, enquanto oferece uma remuneração elevada em termos internacionais.

O sucesso da emissão de "notas" pelo Banco do Brasil talvez seja ainda mais significativo do que o do bônus soberano do Tesouro, embora se trate de uma operação de cinco anos. A remuneração oferecida aos investidores ficou em 4% ao ano, o que, em se tratando de uma emissão de prazo relativamente curto, é muito atraente, levando em conta a segurança implícita.

Cabe lembrar que, neste período conturbado, o Grupo Odebrecht também realizou uma captação no exterior, de US$ 250 milhões, e há outros interessados em captar recursos, mas que preferem ver como evolui a situação na Europa antes de realizar operações desse tipo.

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