Brasil terá inflação de 6,1% em 2013, prevê FMI

Em 2014, inflação média deve recuar para 4,7%; Para FMI, País enfrenta problemas do lado da oferta

Altamiro Silva Júnior, enviado especial da Agência Estado,

16 de abril de 2013 | 10h40

WASHINGTON - O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que a inflação brasileira fique em 6,1% este ano e 4,7% em 2014, de acordo com projeções divulgadas nesta terça-feira. A taxa de desemprego deve ficar em 6% e subir para 6,5% em 2014.

Já o déficit em contas correntes deve ficar em 2,4% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) este ano e subir para 3,2% em 2014. Esse déficit representa o saldo de transações entre o Brasil e o resto do mundo.

O relatório do FMI destaca que o Brasil ainda enfrenta problemas pelo lado da oferta, que pode comprometer o crescimento da economia no médio prazo.

Preocupação

A inflação alta no Brasil é uma preocupação, sobretudo por ocorrer em um momento de baixo crescimento econômico, o que pode sinalizar que o país está próximo de seu potencial, avaliou o economista do FMI para a América Latina, Thomas Helbling.

Na medida em que o crescimento econômico se acelere, Helbling destaca que a atual política monetária do Banco Central pode ser questionada. "A inflação está no topo da banda mais alta da meta, o núcleo da inflação está relativamente elevado", destacou a jornalistas.

O relatório "Projeção Econômica Mundial", divulgado nesta terça-feira pelo FMI, observa que o Brasil enfrenta problemas pelo lado da oferta. Helbling destaca que a infraestrutura é um dos principais gargalos, mas os investimentos que vêm sendo feitos podem trazer algum alívio.

Outro ponto que vem ajudando na recuperação da economia, depois do crescimento de apenas 0,9% em 2012, é a melhora do mercado de trabalho, que tem aumentado a renda das famílias e estimulado o consumo.

Alimentos

O FMI prevê queda no preços dos alimentos e de outras commodities este ano, ajudando a manter a inflação sob controle na economia mundial, de acordo com o relatório "Projeção Econômica Mundial".

Em média, os preços das commodities devem cair 2% este ano, em meio ao aumento da oferta e sem demanda excessiva. Em relação aos alimentos, o relatório do Fundo fala em redução de "mais de 2%" nos preços, sem citar um número preciso, por conta da previsão de uma safra agrícola melhor e da expectativa de que não haja secas como as que ocorreram em 2011 e 2012 ao redor do mundo e que fizeram os preços subirem.

O FMI projeta que os preços das bebidas devem cair 12% em meio ao aumento da produção no setor. As únicas commodities que devem subir são as metálicas, com expectativa de expansão acima de 3%, diz o relatório sem especificar o valor exato.

Os preços em queda da maioria das commodities agrícolas devem contribuir para uma inflação sob controle no mundo em 2013 e em 2014. Nos países desenvolvidos, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) deve subir 1,7% este ano, pouco acima do que o Fundo previa no relatório de estimativas de janeiro (1,6%).

"As pressões inflacionárias permanecem no geral sob controle", afirma o documento, destacando que não há excesso de demanda nos países desenvolvidos e a inflação deve desacelerar nos Estados Unidos e zona do euro este ano. O Japão é uma exceção nesse grupo e deve ter preços em alta este ano, como reflexo de sua política expansionista para reaquecer a economia. A inflação deve passar de zero em 2012 para alta de 0,1% em 2013 e 3% em 2014.

Nos países emergentes, a inflação deve ficar em 5,9%, ante estimativa anterior de 6%. Melhora na oferta de alimentos e dos combustíveis vão ajudar a conter a pressão inflacionária, mesmo com a economia global crescendo um pouco mais que nos últimos anos, conclui o relatório.

Para o petróleo, a previsão é de queda de 2,3% no preço em dólar este ano, número que deve se acelerar para redução de 4,9% em 2014. O FMI destaca o aumento da produção da commodity em países não membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), sobretudo na América do Norte.

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