Soraya Ursine/Estadão
Soraya Ursine/Estadão

Brasil termina Cannes Lions com 70 Leões, superando o resultado de 2021

Agências Africa, David e VMLY&R tiveram bom desempenho e subiram ao palco mais de uma vez para receber Leões de ouro; campanhas para Burger King e carnaval do Rio figuraram entre as mais premiadas

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2022 | 16h00

CANNES –  O Brasil angariou 3 Leões no último dia do Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade de 2022, elevando o total de prêmios das agências e anunciantes brasileiros para 70 neste ano, resultado superior aos 68 Leões recebidos no ano passado. Entre os destaques das premiações estão as agências brasileiras VMLY&R, Africa e David, que trouxeram para casa dois ouros cada. Ao contrário de 2021, no entanto, o País não recebeu nenhum Grand Prix (Grande Prêmio). O Estadão é o representante oficial de Cannes Lions no Brasil.

Além das três agências que figuram entre as gigantes do mercado, a fluminense Tátil, especializada em design, também trouxe dois ouros para o Brasil. Conhecida por ter desenvolvido a marca da Olimpíada de 2016 e também pelas cerimônias de abertura das Paralimpíadas daquele ano, a Tátil recebeu ouros em duas categorias diferentes: Industry Craft e Design, ambos pelo redesenho da marca do carnaval do Rio de Janeiro.

“Como se diz, é o maior espetáculo da Terra, são 12 óperas feitas pelo povo e para o povo, que são colocadas na avenida apenas no grupo especial”, disse o designer e publicitário Fred Gelli, fundador da Tátil. “Esperamos que realmente possamos ajudar o Rio e o carnaval, num momento em que a imagem do Brasil está tão ruim no exterior.”

Já a David obteve êxito com uma campanha do Burger King que visava atrair o público jovem com uma linguagem intimamente ligada ao universo dos games: mais especificamente, dos “bugs” que de repente aparecem na codificação dos jogos. A partir de uma ferramenta “mobile”, a marca criou um jogo próprio em que os clientes tinham de encontrar “bugs” nas promoções do Burger King, tendo acesso a descontos.

O trabalho recebeu ouros em Mobile e Brand Experience & Activation. De acordo com Edgard Gianesi, diretor executivo de criação da David São Paulo, a relação entre a agência e o cliente é simbiótica, uma vez que ambas trabalham juntas há muito tempo: o Burger King está com a David desde sua fundação, há mais de dez anos. “A gente é um grupo muito próximo de criação, produção e atendimento”, disse Gianesi.

A VMLY&R também ganhou dois ouros com a mesma campanha, ambos em categorias de entretenimento do festival. Com o uso do metaverso, a agência criou uma experiência imersiva na cidade de Los Santos, uma réplica virtual de Los Angeles. A campanha para o Greenpeace mostra, de forma clara, os efeitos de um aumento na temperatura global nessa cidade fictícia, deixando claro que os problemas hoje vistos na tela podem, em breve, se tornar reais.

Já a Africa recebeu Leões de ouro por duas campanhas distintas. Na categoria Outdoor Lions, voltada para as ações em mídia impressa, o Leão de Ouro foi para uma campanha desenvolvida pela agência para a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). O trabalho reivindicava o status de “refugiado” para o jatobá, já que a árvore está em perigo em seu local de origem, o Brasil.

O outro ouro da Africa veio em Social & Influencer Lions. A campanha para a marca Brahma, da Ambev, criou mais um corte de cabelo para a lista de estilos inusitados que costumam ser adotados por jogadores de futebol famosos. O trabalho apostou no humor. “É um case de entretenimento. Usa o cabelo, que é uma identidade cultural das pessoas, para falar de cremosidade”, disse ao Estadão o vice-presidente de marketing da Ambev, Daniel Wakswaser.

Magalu e Guaraná Antarctica

Outras agências também subiram ao palco em Cannes – um direito reservado somente aos vencedores de Grand Prix e Leões de ouro. A Ogilvy São Paulo recebeu o prêmio por seu trabalho com a Lu, influenciadora digital do Magalu. Marca e agências disseram ter visto um trabalho de longo prazo, iniciado em 2005, dar bom resultado.

A agência independente Soko trouxe para casa um ouro para a campanha “Presos nos anos 80”, que chamou a atenção para o fato de que os prêmios atuais oferecidos à seleção brasileira feminina de futebol são equivalentes aos que eram dados aos jogadores homens no início dos anos 1980. A ativação foi feita pelo Guaraná Antartica, que há cinco anos patrocina o time feminino nacional.

 “A campanha gerou um projeto de lei, que foi aprovado pela Câmara, mas ainda depende de sanção presidencial, para que os prêmios sejam equivalentes”, disse Felipe Simi, fundador da Soko. Ele lembrou ainda que o trabalho com a seleção feminina ajuda a “refletir a questão da disparidade de gênero como um todo no Brasil”.

Prêmios de sexta-feira

No último dia do festival, o Brasil trouxe mais três Leões para casa. Dois vieram na categoria Film Lions, que celebra os melhores filmes publicitários Foram dois bronzes: um para Gut São Paulo e Mercado Livre e outro para Wieden+Kennedy e Nike. Em Glass: Lion for Change, a TracyLocke recebeu um bronze para um trabalho para a Centauro.

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