Brasil ultrapassa Argentina e já é 2º em transgênicos

Com 21,4 milhões de hectares cultivados com produtos geneticamente modificados, País está atrás apenas dos EUA

Reuters,

23 de fevereiro de 2010 | 16h19

O Brasil ultrapassou em 2009 a Argentina e se tornou o segundo país que mais usa produtos agrícolas geneticamente modificados no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, informou nesta terça-feira a ISAAA, órgão internacional que acompanha a adoção de produtos transgênicos.

 

O País plantou no ano passado 21,4 milhões de hectares com produtos transgênicos, apenas 100 mil hectares a mais do que a Argentina, disse o presidente da ISAAA, Clive James, em teleconferência. Os EUA lideram com folga a adoção de produtos alterados geneticamente, com 64 milhões de hectares. E na avaliação de James há espaço para um crescimento ainda maior na adoção de transgênicos no Brasil.

 

"A soja Roundup Ready (tolerante ao herbicida glifosato) vai crescer em 2010 ante 2009. Hoje vocês plantam quase 23 milhões de hectares (ao todo, incluindo o produto convencional), e houve 71% de adoção do Roundup Ready em 2009. Há espaço para aumento significativo", declarou ele durante a teleconferência.

 

A soja domina o cultivo de transgênicos no Brasil e Argentina, mas o crescimento do uso de lavouras geneticamente modificadas no país no ano passado foi liderado pelo milho.

 

A área do milho Bt cresceu 3,7 milhões de hectares, o equivalente a aproximadamente 400 por cento sobre 2008, e foi de longe o maior aumento absoluto para qualquer cultura GM em qualquer país em 2009, segundo relatório da ISAAA (sigla em inglês para Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia).

 

Dos 21,4 milhões de hectares semeados no Brasil (com todos os produtos, soja, milho e algodão), 16,2 milhões de hectares foram plantados com soja transgênica, com patente da Monsanto.

 

O Brasil cultivou na safra passada cerca de 14 milhões de hectares com milho, sendo que 5 milhões de hectares com o produto transgênico Bt, resistente a insetos, de acordo como órgão. A adoção do milho transgênico só foi aprovada mais recentemente no Brasil. A soja e o algodão alterados já são plantados há mais tempo.

 

"Milho, vocês são os terceiros produtores no mundo... e como você sabe o milho é cultivado em duas safras no Brasil, há uma oportunidade de crescimento na safrinha, mas também na safra de verão", declarou ele.

 

Segundo dados do ISAAA, foram cultivados 145 mil hectares com algodão transgênico no Brasil, dos quais 116 mil do produto Bt e 29 mil tolerante a herbicida. A área total com algodão no Brasil superou 800 mil hectares na temporada passada.

 

"No algodão também há mais oportunidades para crescimento, mas o mais importante é olhar além, e ver produtos que estão vindo", disse James, citando uma soja transgênica desenvolvida pela Embrapa em parceria com a Basf, recentemente aprovada para uso comercial.

 

Ele prevê que o novo produto da Embrapa/Basf esteja disponível em 2010/11. "É um bom exemplo de como o setor privado e setor público podem atuar juntos", afirmou, lembrando que na China entidades públicas também estão desenvolvendo tecnologia transgênica.

 

Segundo a ISAAA, as avaliações de impacto mundial das culturas transgênicas indicam que, no período de 1996 a 2008, os ganhos econômicos com a adoção de transgênicos foram de US$ 51,9 bilhões, com a redução nos custos de produção e os ganhos de produtividade.

 

Além disso, disse a organização, "teriam sido exigidos 62,6 milhões de hectares adicionais para produzir a mesma quantidade, não tivessem sido empregadas as culturas GM". Durante o mesmo período, de 1996 a 2008, a redução de defensivos foi avaliada em 268 milhões de kg de ingredientes ativos, uma economia de 6,9%.

 

A entidade defende o uso de transgênicos também em relação a emissões. Segundo ela, em 2008, a redução da emissão de CO2 na atmosfera com as culturas transgênicas é estimada em 14,4 bilhões de kg de CO2, equivalente à remoção de 7 milhões de carros das ruas.

 

(Por Roberto Samora)

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