Brasil vai negociar questão de Itaipu, até certo ponto, diz Lula

O governo brasileiro vai sentar com ogoverno paraguaio para discutir os termos do tratado binacionalque define a utilização e a comercialização da energia geradapor Itaipu, ainda a maior usina hidrelétrica do mundo. A informação veio do próprio presidente Luiz Inácio Lula daSilva, minutos antes de ele voltar ao Brasil, após acompanharem Assunção a posse do novo presidente do paraguai, FernandoLugo. O cumprimento do presidente Lula a Lugo foi o maisdemorado, entusiasta e longo da série de cumprimentos que onovo presidente do Paraguai recebeu em sessão solene no Paláciode los López. Lula se aproximou de Lugo com um aperto de mãodaqueles de chacoalhar o ombro. Depois os dois ficaram conversando olho no olho por algunsminutos e finalmente o presidente do Brasil beijou o rosto docolega que não continha o sorriso. Para quem chegou à cerimônia de posse sob gritos depopulares "Itaipu, Itaipu" e foi citado como chefe de umgoverno imperialista pelo principal jornal do país, Lulacertamente virou o barco diplomático em Assunção, pois, ao ladode Lugo no palácio, pareciam irmãos. E o sorriso do presidente paraguaio bem poderia ser oresultado da confirmação oferecida pelo brasileiro de que ogoverno do Brasil está disposto a sentar com o Paraguai paranegociar novos detalhes do contrato binacional de Itaipu,talvez a principal plataforma de campanha do novo governovizinho. "Itaipu tem uma reivindicação antiga dos companheiros doParaguai e nós vamos discutir com eles. Primeiro precisamossaber qual vai ser a demanda que o presidente Lugo vai fazer aoBrasil. O que for possível negociar nós vamos negociar porquenós queremos ajudar o Paraguai. Há o compromisso nosso deajudar o Paraguai a melhorar a situação do seu povo", disse opresidente brasileiro antes de deixar Assunção. Lula disse que o limite da negociação será o bolso doconsumidor brasileiro. "Vamos ver qual será a demanda delesporque qualquer aumento de tarifa que incidir sobre um aumentode tarifa para o povo brasileiro fica complicado", disse ele. O Paraguai quer aumentar o preço da energia em sete vezes eainda ter o direito de vender o excedente de sua parte aqualquer país e não apenas ao Brasil como reza o atualcontrato.

MARIO ANDRADA E SILVA, REUTERS

15 de agosto de 2008 | 20h55

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