Brasil vira alvo de siderúrgicas em busca de minério e carvão

O mercado de direitos mineráriosno Brasil nunca esteve tão aquecido, e a tendência é de que osinvestimentos nessa área, antes quase exclusividade da Vale,aumentem nos próximos anos. Atrás de minério ou carvão a baixo custo, siderúrgicas doporte da ArcelorMittal e Tata Steel voltam suas atenções para oBrasil, fazendo fila junto a outras como Global Steel, que naquarta-feira anunciou assinatura de contratos para explorarminério no Brasil, e a importadora chinesa Sinosteel, que nestaquinta-feira também admitiu interesse em ter atividade no país. Weixian Zhang, representante da Sinosteel no 14o CongressoMundial de Aço, afirmou na quinta-feira que a empresa poderáatuar sem parceiros em atividades de exploração de minério deferro, níquel e manganês. Em visita ao Brasil também para o Congresso, o executivo daTata Steel Amit Chatterjee disse que a empresa tem mantidoconversas no país para possíveis projetos de siderurgia com aVale no Pará, e que existe interesse também em mineração, masque "assim como em outros lugares do mundo, o custo é que vaidefinir", frisou. "Não temos ainda nenhum plano concreto no Brasil, mas épossível", limitou-se a dizer Chatterjee a jornalistas quandoperguntado sobre os possíveis negócios no país. Também evitando confirmar a entrada da ArcelorMittal emterritório brasileiro para exploração do mineral, apesar dagigante ser apontada por especialistas como uma das mais ativasna busca de oportunidades, o presidente da ArcelorMittalTubarão, José Armando Campos, preferiu generalizar. "A ArcelorMittal tem uma política mundial de procurarauto-suprimento no longo prazo em torno dos 75 por cento dasmatérias-primas como um todo", afirmou. MARGEM ALTA De acordo com o consultor Cláudio Nassur, sócio daconsultoria Cypress Associates, a investida das siderúrgicas namineração está relacionada às altas margens que as mineradorasestão conseguindo com a venda de minério e carvão. "As siderúrgicas estão descendo na cadeia de valor...quandovêem que estão deixando com a mineradora uma margem altíssima,passam a pensar em internalizar esses lucros que as mineradorasvêm tendo", afirmou por telefone à Reuters. Ele explicou que principalmente empresas indianas têmdisputado bastante por direitos minerários no país, ebrasileiras como a MMX estão focando regiões ainda poucoexploradas no Nordeste, que ele considera o próximo "Eldoradobrasileiro". "Eu tenho percebido o movimento dos indianos, eles tambémestão concorrendo bastante por essas áreas, mas ainda são muitoincipientes, e tem um monte de gente especulando em cima dessesdireitos minerários, está uma coisa louca, irracional",afirmou. Segundo ele, não são apenas as siderúrgicas que estão nadisputa por direitos minerários no Brasil. As chamadas "juniorscompanys", mineradoras especializadas em detectar áreas paraempresas maiores, também estão crescendo, só que o foco maior éo ouro. "Essas empresas juniores captam dinheiro no mercado,principalmente em Toronto, no Canadá, e vêm para o Brasil, Perue Chile atrás de oportunidades no segmento", informou. "Tenho percebido de 2003 para cá que toda semana a gentefica sabendo que uma "junior company" se mostra disposta ouestá montando operação aqui", afirmou. De acordo com projeções do consultor, os investimentos empesquisa no Brasil devem passar de 380 milhões de dólares noano passado para 500 milhões de dólares este ano, e ultrapassaros 600 milhões de dólares em 2009. Ele ressaltou no entanto que problemas de infra-estruturanas áreas onde se encontram os minerais e a pouca informaçãosobre as áreas podem retardar os investimentos nodesenvolvimento dos projetos.

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