Brasileiro ‘hipoteca’ casa para consumir

Bancos ampliam modalidade de empréstimo, que permite juro mais baixo e prazos maiores

Edna Simão, de O Estado de S. Paulo,

27 de agosto de 2010 | 19h30

O boom dos financiamentos imobiliários no País fez com que os bancos despertassem o interesse para um novo negócio: a utilização da casa própria como garantia de empréstimos para o consumo. Essa é uma maneira de oferecer crédito com taxas de juros mais atrativas e prazo alongado – que pode chegar a 30 de anos  – de pagamento.

No primeiro semestre, esses empréstimos dispararam em instituições como a companhia hipotecária Brazilian Mortgages (BM) e bancos como Caixa Econômica Federal e Bradesco. Também atuam nesse setor o Santander e Itaú. Mas até quem não trabalha nessa área, como o Banco do Brasil, já está pensando em ter o produto em seu portfólio.

Desde 2007 no mercado, a Brazilian Mortgages é uma das pioneiras nesse tipo de transação. Com o aumento de mais de 200% no número de contratos firmados – que passou de 131 para 432 – no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2009, a companhia se prepara para elevar o número de escritórios no País.

Segundo o diretor da empresa, Vitor Bidetti, em 2007, tinha cinco escritórios, e agora já possui 30. A expectativa é de que esse número chegue a 60 escritórios no fim> deste ano e a 120 até 2012. "Essa modalidade de crédito está amadurecendo. A grande vantagem para o cliente é que pode acessar mais recursos, de forma mais barata e com mais tempo para pagar", afirmou Bidetti.  "Cerca de 80% das propriedades não foram refinanciadas", acrescentou o executivo para mostrar o potencial existente no mercado. O tíquete médio das transações feitas pela Brazilian Mortgages é de R$ 150 mil e os empréstimos podem ser pagos em até 30 anos com juros de até 1% ao mês.

Sonho de consumo. Para não perder essa onda, Caixa e Bradesco, que antes atuavam com timidez nesse mercado, estão intensificando as operações, seja para o empreendedor ou para a pessoa física que quer apenas realizar um sonho de consumo.

A Caixa teve um aumento de 66% nas operações no primeiro semestre deste ano ante 2009. Foram concedidos R$ 100 milhões até 15 de agosto para essa modalidade e a expectativa do superintendente nacional de Cliente de Média e Alta Renda do banco, Mário Ferreira Neto é atingir a marca de R$ 150 milhões até o fim do ano. O banco público, no entanto, só trabalha com o segundo imóvel do cliente.

Essa limitação, segundo o superintendente, foi estabelecida porque no País, mesmo com o instrumento da alienação fiduciária, ainda é difícil tomar o imóvel do cliente que não paga suas dívidas. "A linha foi reformulada em 2008 e o foco é o empreendedor, que precisa de um volume de recursos próprios para ampliar os investimentos em um negócio ou abrir um novo", frisou o superintendente da Caixa.

No Bradesco, o diretor da área de empréstimos e financiamentos, Octavio de Lazari Júnior, o foco é o empreendedor. "Normalmente, são pessoas que querem investir numa franquia ou abrir um negócio", destacou. O empréstimo é liberado ao microempreendedor e, portanto, a instituição faz uma análise de onde será investido o dinheiro antes de liberar o crédito.

Quarenta e cinco por cento dos clientes dessa linha têm de 41 a 60 anos. "São pessoas mais maduras e que sabem como é caro pegar um crédito", destacou. Segundo Lazari Júnior, a carteira desse crédito cresceu mais de 300% no primeiro semestre, ante o mesmo período de 2009.

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