Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Braskem divulga prejuízo menor em balanço auditado e ações sobem

Prejuízo em 2016 foi de R$ 729 milhões, abaixo das perdas de R$ 768 milhões divulgadas anteriormente

Marcelle Gutierrez, O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2017 | 11h23

A Braskem divulgou na noite de ontem os balanços do ano de 2016 e primeiro trimestre de 2017, mas desta vez com os pareceres dos auditores independentes da KPMG. Alguns ajustes foram observados nos números publicados agora, ante os divulgados anteriormente sem a auditoria.

No balanço de 2016, a Braskem reportou agora um prejuízo de R$ 729 milhões em 2016, abaixo das perdas de R$ 768 milhões divulgadas anteriormente. Em 2015, a empresa havia registrado lucro de R$ 2,760 bilhões.

Investidores tiveram reação positiva e, por volta de 11h, as ações da petroquímica subiam 3,31%, a R$ 39,30, entre as maiores altas do Ibovespa.

Para o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, a Braskem divulgou agora R$ 11,507 bilhões, valor bem semelhante aos R$ 11,508 bilhões anteriores. Ante 2015, o avanço foi de 23%. A margem Ebitda permaneceu em 24,1%.

Na linha receita líquida de vendas, o balanço auditado da Braskem, divulgado ontem à noite, informou um número também parecido ao reportado anteriormente, de R$ 47,664 bilhões, ante R$ 47,7 bilhões. Em relação a 2015, a alta da receita foi de 2%.

No balanço sem auditoria, divulgado em fevereiro, a Braskem divulgou um resultado financeiro negativo em R$ 4,210 bilhões e, agora, a demonstração financeira trouxe um número negativo de R$ 4,215 bilhões, ao excluir a Braskem Idesa.

Primeiro trimestre. Sobre o resultado do primeiro trimestre de 2017, a Braskem divulgou ontem à noite números auditados também com diferenças aos reportados no dia 15 de maio.

O lucro líquido de janeiro a março de 2017 foi de R$ 1,914 bilhão no balanço auditado, ante R$ 1,908 bilhão divulgado anteriormente. Ante o primeiro trimestre de 2016, o lucro da Braskem ficou 2,4 vezes superior.

O Ebitda ajustado no segundo trimestre foi de R$ 3,607 bilhões na demonstração auditada, ante R$ 3,610 bilhões na anterior. Na comparação anual, o Ebitda avançou 16%.

A receita líquida permaneceu com o mesmo valor, de R$ 12,6 bilhões, alta de 6% contra o mesmo período do ano passado, e o resultado financeiro também, sendo negativo em R$ 385 milhões. 

Lava Jato. A KPMG não fez ressalva para a nota explicativa da petroquímica em relação à impossibilidade de mensurar perdas adicionais em processos que não o acordo de leniência fechado pela companhia.

Segundo a KPMG, com exceção do acordo de leniência e outras penalidades não monetárias, a empresa "não é capaz de prever ou mensurar de maneira confiável, neste momento, a extensão dos impactos financeiros e não financeiros e consequentemente o registro de potenciais perdas adicionais que a confirmação das alegações, eventuais ações de outras autoridades ou terceiros, investigações paralelas poderiam acarretar à Companhia", enfatizando ainda que não é possível mensurar os recursos que seriam necessários para remediar tais ocorrências, incluindo possíveis efeitos decorrentes do desfecho da ação coletiva acima mencionada. "Nossa opinião não contém ressalva relacionada a esse assunto", destacou a KPMG, no parecer.

A Braskem firmou acordo de leniência com o Ministério Público Federal, com o Department of Justice (DoJ), com a Securities and Exchange Commission (SEC) e com a Procuradoria-Geral da Suíça, em valor total aproximado de R$ 3,1 bilhões.

Ainda sobre a Lava Jato, a KPMG considerou o assunto significativo para a auditoria e adotou procedimentos específicos, como discussões com diretoria executiva, conselho fiscal e conselho de administração, envolvimento de especialistas forenses para acompanhar trabalhos de assessores jurídicos externos e entrevistas com executivos. A auditoria também fez análise documental, recálculo dos efeitos tributários e avaliação das divulgações relacionadas a esse assunto nas demonstrações financeiras.

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