Nilton Fukuda
Nilton Fukuda

Braskem e Petroperú podem ter polo petroquímico de US$ 3 bi no Peru

Empresas brasileira e peruana assinaram nesta quinta um memorando para um estudo conjunto das opções para viabilizar o projeto

André Magnabosco, de O Estado de S. Paulo,

24 de novembro de 2011 | 23h00

A petroquímica brasileira Braskem e a estatal peruana Petroperú pretendem construir um complexo petroquímico na região sul do país vizinho. O projeto, estimado em aproximadamente US$ 3 bilhões, faz parte de um amplo plano do governo do Peru de industrializar a área a partir do uso do gás natural.

 

Segundo estimativas do governo local, a região entre as cidades portuárias de Illo e Matarani deve receber investimentos de aproximadamente US$ 16 bilhões para viabilizar a instalação de um complexo industrial, composto por fábricas de metanol, amônia e ureia, além de uma termelétrica, entre outros projetos.

O polo petroquímico começou a sair do papel nesta quinta-feira, 24, com a assinatura de um memorando entre a Braskem e a Petroperú. O documento formaliza a intenção de se analisar opções para viabilizar o projeto, composto por uma fábrica de até 1,2 milhão de toneladas anuais de eteno e capacidade equivalente de polietileno (PE), produto utilizado na fabricação de plásticos.

Maior fabricante de resinas das Américas, a Braskem ingressa no projeto com a pretensão de ser controladora da unidade. O governo peruano já sinalizou que pretende ser sócio do polo, com participação de 20%. Fatia semelhante poderá ficar com empresas locais de menor porte ou até mesmo com sociedades formadas por fundos de pensão peruanos, que têm obrigação de destinar parte dos recursos para investimentos no próprio país.

Nova tentativa. Com essa estrutura societária, o plano de construção de um complexo peruano deve finalmente sair do papel, após diversas tentativas sem êxito. Em uma delas, feita em 2008, antes da crise na economia mundial, Braskem e Petroperú se juntaram à Petrobrás para tentar viabilizar a unidade, mas a limitação de gás natural na área explorada pela estatal brasileira no Peru impediu o avanço.

A nova iniciativa, por sua vez, surge com maior robustez graças à construção de dois dutos que devem ligar a região de exploração de gás Las Malvinas ao sul do Peru. "Falamos hoje de um projeto mais amplo, no qual os dutos são fundamentais para o desenvolvimento do país", disse o diretor de Negócios Internacionais da Braskem para a América do Sul, Sérgio Thiesen.

O projeto de construção de uma malha de dutos, avaliado em cerca de US$ 5 bilhões, foi concedido à americana Kuntur e terá a também brasileira Odebrecht (principal acionista da Braskem) como responsável por sua viabilização.

Graças a essa malha de dutos, o fornecimento de insumos para o polo será garantido por um grupo de empresas. A previsão é de que os gasodutos estejam concluídos por volta de 2016. Dois anos depois, deve entrar em operação o polo petroquímico a ser gerenciado pela Braskem, caso seja confirmada a viabilidade técnica, econômica e empresarial por parte das duas futuras sócias. Essa análise deve estar concluída até o final de 2012.

Segurança. Apesar de ainda estar em fase inicial de análise, o projeto petroquímico é encarado como fundamental no processo de industrialização da região sul do país e no movimento de internacionalização da Braskem. A petroquímica brasileira já opera fábricas nos EUA e na Alemanha - graças a aquisições realizadas nos últimos dois anos - e está em processo de construção de um complexo semelhante no México, em parceria com a empresa local Idesa.

Para Thiesen, o projeto com a Petroperú, além de fundamental do ponto de vista mercadológico, uma vez que o país andino não possui fábricas de polietilenos, é também atrativo sob a ótica da parceria com o Peru. "É um país que tem grau de investimento, excelente relação com a economia internacional e grande facilidade na obtenção de recursos externos", disse. "Por isso não será difícil definir (a estrutura de capital) do projeto."

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